Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 28/12/2020

O filme “Todo Poderoso”, apesar de se tratar de uma comédia irreverente, demonstra a importância da doação de sangue quando o personagem principal, após sofrer um grave acidente, sobrevive devido à transfusão sanguínea realizada pela sua namorada. Fora da ficção, no Brasil essa prática de solidariedade enfrenta graves desafios, como a falta de empatia de uma parcela significativa da população, além da inobservância estatal, o que faz com que o país apresente baixíssimos índices de doadores.

Primeiramente, observa-se que o individualismo é uma das principais causas da baixa taxa de doação sanguínea no Brasil. Nesse aspecto, na obra “Cegueira moral”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata a dificuldade dos cidadãos em enxergar realidades distintas das próprias, fato que potencializa a escassez de comportamentos empáticos. Isso é confirmado, uma vez que grande parte da população julga não haver necessidade em doar sangue e, com isso, essas pessoas só passam a entender a importância dessa atitude quando elas mesmas ou algum ente querido, que se encontra em um estado grave, passam a precisar da transfusão para a sobrevivência. Sendo assim, vê-se que a falta de empatia impede a autossuficiência brasileira nessa área.

Ademais, cabe salientar que a pequena taxa de coleta sanguínea deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que incentivem tal atitude. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o principal responsável por promover a saúde e bem-estar da sociedade, entretanto isso não ocorre de maneira efetiva no Brasil. Esse fato é verificado devido à baixa promoção de campanhas com o intuito de desmistificar as ideias errôneas sobre a doação, bem como faltam inserções publicitárias que insentivem e informem os cidadãos quanto essa necessidade. Isso faz com que boa parte da população, em pleno século XXI, tenha medo de exercer essa ação e siga alienada devido a essa inobservância estatal.

Portanto, com vistas a aumentar as taxas de doadores e sensibilizar o maior número de cidadãos possível, o governo federal, em parceria com o Ministério da Saúde, deve elaborar campanhas de incentivo à doação, que demonstrem de forma impactante o poder de salvar vidas que esse ato possui. Isso deve ser feito por meio de inserções publicitárias nas mídias, como televisão e redes sociais, além de contar com o apoio de influenciadores digitais -haja vista o alcance e o poder de influência destes perante seus jovens seguidores. Só assim será possível conscientizar a população e aumentar as taxas de doação de sangue, além de tornar o Brasil um pais autossuficiente nesse quesito.