Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 30/12/2020
O primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que todo ser humanos é dotado de razão e consciência e deve agir uns para com os outros em espiríto de fraternidade. Todavia, quando observa-se a doação de sangue no Brasil, percebe-se que ainda há obstáculos a serem superados para a concretização desse sentimento na sociedade. Isso decorre da falta de conscientização, aliado ao estigma e a deficiência estrutural, que gera impactos à sociedade.
O primeito fator que deve ser analisado em relação à situação em questão é a falta de compreensão da comunidade. Nesse sentido, a carência de entendimento de que a doação deve ser um ato social e contínuo afeta a quantidade desse líquido nos hemocentros, prova disso é que houve uma queda de 2,5% de bolsas de sangue coletadas, em 2019, enquanto foi registrado um aumento no número de transfusões, de acordo com o Ministério da Saúde. Conforme o escritor Gilberto Dimenstein, só existe opção quando há informação, logo, a falta de conhecimento adequado contribui com a disseminação de mitos em relação à doação, tais como que doar engorda ou que sempre será necessário após a primeira vez.
O segundo obstáculo, importante para reflexão, é o deficit estrutural, ocasionado pela redução de recursos ao Sistema Único de Saúde. Reflexo disso é que a insuficiência de fundos para o investimento em agências transfusionais, na maioria dos hospitais, dificulta o controle da qualidade do sangue e a sua distribuição, além de gerar eventualmente o seu descarte, já que se trata de um material difícil de ser condicionado. Segundo o Conselho Nacional de Saúde, em 2019, houve uma perda de 20 bilhões de investimento no orçamento do SUS, cenário que prejudica o processo de captação de sangue. Além disso, outra barreira é a locomoção do doador até os hemocentros, sobretudo para moradores da periferia, situação agravada pela falta de unidade móveis capazes de fazer a coleta dos hemocomponentes, que são essenciais para o atendimento de urgência.
Urge, portanto, que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar os obstáculos para a doação de sangue. Para tal, o Governo, com o auxílio do Ministério da Saúde, deve reforçar as campanhas de conscientização, transmitidas em horário nobre e regularmente, por meio da exposição de depoimentos de doadores e receptores, acerca das etapas de doação e a sua importância na vida de outras pessoas. Logo, minimizar os mitos que ainda estão presentes na sociedade hodierna, aumentar o estoque de sangue nas unidades de coleta e, assim, evitar a morte de milhões de indivíduos.