Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 30/12/2020
Consoante o artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visem à sua promoção, prevenção e ao acesso igualitário e universal. Todavia, no que tange à doação de sangue, peça fundamental em diversos procedimentos médicos, como cirurgias, há um enorme déficit do número de doadores. Tal fato deve-se, principalmente, à ineficiência do Poder Público em esclarecer a população que o ato de doar é seguro e a mentalidade individualista da sociedade.
Mormente, vale ressaltar que o desconhecimento, por parte da população, sobre como ocorre a doação de sangue está diretamente relacionado ao baixo número de doadores. Segundo o periódico científico “Blood”, aproximadamente 30% das pessoas acreditam que a doação de sangue pode causar algum malefício. Tal retrato é alarmante, visto que, seguindo as diretrizes, prática é segura e pode ser realizada repetidamente ao longo do ano. Nessa perspectiva, a falta de campanhas publicitárias promovidas pelo Estado propicia a manutenção da ignorância e, por conseguinte, um número diminuto de doadores.
Ademais, associado ao desconhecimento, o consciente coletivo individualista da sociedade limita a doação mesmo entre aqueles que sabem que o procedimento é seguro. Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, na obra “Cegueira Moral”, na sociedade hodierna, há uma insensibilidade pela dor do outro, os indivíduos estão voltados para a formação de identidades privadas, negligenciando, assim, as demandas da coletividade. Desse modo, visto que a doação de sangue é um ato de empatia com terceiros, a mentalidade narcisista, focada apenas no benefício individual, restringe a adesão de novos doadores.
Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Dessarte, o Ministério da Saúde, por meio de parcerias com os meios de comunicação, deve promover campanhas publicitárias, no intuito de elucidar a população sobre os riscos da doação de sangue. Essas campanhas devem ser ministradas nas escolas, universidades e no Youtube, a fim de alcançar o maior número de pessoas e faixas etárias. Além disso, essas campanhas devem, também, trazer à tona um caráter sentimental e emotivo, para que o sentimento de empatia seja despertado na população. Dessa maneira, o número de doadores de sangue irá aumentar e o direito constitucional será efetivado.