Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 06/01/2021
Solidariedade, ato de amor, gesto que pode salvar vidas. Esses são os contornos que caracterizam a doação de sangue, gesto nobre a ser incentivado no Brasil, uma vez que se torna evidente a escassez de doadores, acrescendo a quantidade de enfermos. Nesse viés observa-se a necessidade de promover melhorias no que tange à questão da doação de sangue, um cenário desafiador influenciado pelo individualismo, além de uma base educacional lacunar.
Mormente, o individualismo destaca-se como um complexo dificultador. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Nesse contexto, a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira no que infere-se à escassez de doares de sangue, um problema estimulado pela população a qual não exerce a empatia para doar ou divulgar a importância da doação de sangue. Essa liquidez da comunidade funciona como um forte empecilho para a melhoria da situação em que se encontra.
Outrossim, outra dificuldade enfrentada é a questão da base educacional lacunar. Para Kant, “O ser humano é o resultado da educação que teve.” Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à doação de sangue nota-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido o seu papel no sentido de informar os alunos sobre os benefícios da doação de sangue e sua importância.
Infere-se, portanto, que o Poder Público deve estimular a massa a doar sangue com mais frequência. Para tal, urge que o Ministério da Saúde promova campanhas em escolas públicas e privadas abertas para toda a população, dando ênfase aos alunos, com o intuito de incentivo à doação sanguínea e abrangência do conhecimento da população e dos alunos. Tais campanhas devem demonstrar os benefícios, a importância da empatia e além disso, a prefeitura do município deve arcar o custeamento do transporte de indivíduos, de suas residências até os hemocentros, de modo a facilitar o deslocamento do doador e, consequentemente, mobilizar mais interessados em doar. Ademais, compete ao Governo Federal promover a divulgação das campanhas no meio televisivo e virtual, por meio das verbas públicas, com o fito de sensibilizar a população acerca dos impactos que o esgotamento de estoques sanguíneos traz para a saúde dos dependentes de transfusões. Feito isso, o Brasil pode superar os obstáculos para doação de sangue.