Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 08/01/2021
A produção ficcional nacional “Sob Pressão” narra, em um dos episódios, a história de pacientes que dependem de transfusão sanguínea, mas não recebem em função da escassez dos estoques do hospital. Fora da ficção, os obstáculos para a doação de sangue no país fazem com que os brasileiros vivam o drama da série na realidade cotidiana, o que se mostra grave problema. Logo, há de se combater a falta de informação, bem como a indiferença social, acerca dessa problemática.
À vista desse cenário, evidencia-se o desafio da lacuna informacional como um dos desafios da atual conjuntura. Sob essa ótica, de acordo com o filósofo contemporâneo Mario Sergio Cortella, não basta possuir informações, é preciso saber o que fazer com elas. Nesse viés, nota-se que as pessoas sabem que o ato de doar sangue é importante, entretanto não é amplamente divulgado como e onde realizar tal ação. Desse modo, embora existam propagandas governamentais em prol dessa atitude solidária, essas não são eficazes, porque não atingem o público alvo de maneira eficaz e esclarecedora. Então, enquanto o Estado não ampliar a comunicação acerca da problemática com a população, continuará se constatando baixa adesão a campanhas nesse âmbito.
Outrossim, cabe ressaltar que o individualismo social representa outra face dos obstáculos de condutas empáticas, tal qual a contribuição com o banco de sangue nacional. Nesse contexto, na obra antropológica “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que o fim último de todas as ações dos cidadãos seja o bem comum da comunidade. Ocorre que, no Brasil atualmente, o egocentrismo social vai em contramão a visão postulada pelo filósofo grego, na medida em que substancial parcela da população é indiferente à necessidade de adesão aos projetos de doação sanguínea. Em suma, as ações de cada membro social afetam diretamente a sociedade, a exemplo do comportamento individualista em detrimento do bem estar dos pacientes que necessitam de transfusão.
Portanto, depreende-se a urgência de atuação por parte das autoridades competentes, em virtude dessa alarmante conjuntura. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde –maior responsável pela salubridade nacional– desconstruir não só o individualismo, como também a desinformação, referentes a doação de sangue no país. Isso tem que acontecer por meio de políticas públicas que incentivem as pessoas a doar tal recurso crucial para a medicina, tal qual a criação de um cadastro online para coleta sanguínea em domicílio através de unidades móveis, assim como campanhas em postos de saúde e hospitais para estimular visitantes a contribuir. Todo esse empenho deve ocorrer com o fito de aumentar a oferta de sangue nas instalações de saúde, além de promover a conduta empática na população. Pois, só assim, o bem estar social idealizado por Aristóteles irá caminhar para prevalecer no Brasil.