Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 13/01/2021

De acordo com o importante escritor tcheco Franz kafka, ¨A solidariédade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana¨. Conquanto, ainda há entraves que dificultam o processo de ser solidário, em que prega o autor, como acontece na doação de sangue no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto do ineficaz incentivo à população, quanto da burocratização que se tem para doar. Essa realidade alarmante requer medidas mais arrojadas do Poder público e da sociedade civil com o fito de solucionar a problemática vigente.

Em primeira análise, é imprescindível pontuar a ineficácia por parte do governo em disponibilzar mecanismos que garantam uma plena incentivação à doação sanguínea. Segundo a ONU, o ideal é que 3% dos indivíduos de um país sejam doadores para se obter um bom estoque sanguíneo, porém, hodiernamente no Brasil, esse numero encontra-se em torno de 1,6%, conforme o Ministério da Saúde. Outrossim, a baixa frequência de campanhas publicitárias que garantam o real entendimento da sociedade à respeito da importância de doar sangue, bem como a carência dessas propagandas em todos os horários acessíveis ao pleno contato com os ouvintes, corroboram com o número ainda insuficiente de doadores vigentes no país.

Ademais, é fulcral apontar a burocracia relacionada a dificuldade que se tem em chegar aos locais de doação, como um outro obstáculo a ser vencido para a real propagação desse importante ato solídário. Isso se deve, sobretudo, pela localização dos centros de coleta sanguína de maneira não homogênea, visto que segundo o Ministério da Saúde, cerca de 94% dos hemocentros localizam-se em capitais ou cidades com mais de 200 mil habitantes. Essa conjuntura, acaba por não garantir a poulação mais interiorana e a da periferia das cidades uma essencial chance de se deslocar para fazer sua doação de sangue, que poderia ajudar muitos necessitados e, consequentemente, deixando claro o desrespeito com a Constituição Federal no que tange ao direito inalienável à saúde de qualidade. Logo, é inaceitável a continuação de tais lástimas, necessitando medidas urgentes da postura estatal.

Destarte, é notório que medidas mais arrojadas são importantes para vencer esses obstáculos. Para isso, o Governo Federal, em parceria com o Ministério das Comunicações, deve disponibilizar mais campanhas publicitárias, que precisam ser veiculadas de maneira mais intensa e qualificada, com auxílo de profissionais da saúde, de modo a não só garantir um real entendimento da importância da doação de sangue, mas também o aumento  na quantidade de pessoas alcançadas pela publicidade. Com isso, os obstáculos seriam reduzidos e o  número de doadores poderia ser aumentado até os ideais 3%, alcançando mais atos solidários que expressam a dignidade humana, como disse Kafka.