Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o acesso à saúde. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que o acesso à doação de sangue no Brasil enfrenta diversos obstáculos. Esse cenário nefasto ocorre em razão da proibição de doações da população gay, bem como o difícil acesso a hemocentros. Logos, medidas devem ser tomadas, analisando as problemáticas que impedem o acesso a um direito constitucional básico.
Deve-se pontuar, de início, que na década de 80, o mundo passou por uma crise sanitária gerada pela epidemia do vírus HIV. O uso de preservativo não era estimulado a população marginalizada de gays, o que promoveu a maior transmissão. Hodiernamente, o sexo protegido é amplamente promovido à comunidade LGBT, o que resultou na mudança do perfil dos infectados. Contudo, os hemocentros, 40 anos depois da epidemia, mesmo heterossexuais sendo atualmente as maiores vítimas, prossegue a proibição discriminatória da doação de sangue para homens gays ativos sexualmente. Desse modo, é evidente que a prática homofóbica negligencia a saúde daqueles que necessitam.
Sob esse viés, pode-se apontar, ainda, que Milton Santos afirma que a mobilidade espacial está amplamente atrelada ao acesso a bens públicos. Segundo o Geógrafo, a distribuição geográfica de serviços tende a ser concentrada em áreas metropolitanas e de classe média. Essa dinâmica é vista de maneira clara quando se analisa a dificuldade de acesso a ambientes de doações para populações interioranas e periféricas, que devem se deslocar a polos regionais. Assim, com a regionalização social inadequada, potenciais doadores são desestimulados pela dificuldade de mobilidade.
Em suma, é evidente a necessidade de propostas que reduzam os obstáculos para doação de sangue no Brasil. Primeiramente, cabe ao Ministério da Saúde, orgão nacional responsável pelas políticas de coleta sanguínea, promover a doação de sangue de gays, além da fiscalizar hemocentros por meio do projeto ‘’Doação arco-íris’’, com o objetivo de acabar com a prática homofóbica que nega as doações dessa população. Além disso, cabe as secretarias de planejamento dos estados, através de pesquisas geográficas, realizarem a redistribuição de ambientes de coleta sanguínea, para que haja acesso mais facilitado. Dessa maneira, com a adoção dessas medidas, o país pode se aproximar do ideal constitucional.