Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 04/02/2021
A doação de sangue é parte fundamental para a realização de diferentes terapias médicas que, segundo o conhecimento científico atual, são suficientes para salvaguardar inúmeras vidas. No entanto, no que diz respeito a esse parâmetro, o Brasil ainda peca em sua legislação preconceituosa que exclui indivíduos gays e bissexuais da plena participação desse ato, bem como na falta de estruturas adequadas em hospitais, ocasionando assim o déficit e o desperdício desse bem primordial à vida. Primeiramente, a legislação brasileira pauta a avaliação para definir pessoas aptas à doação pela identidade sexual e não pelo comportamento de risco do indivíduo. Esse preconceito pode ser visto com o período de abstinência sexual de 12 meses que gays e bissexuais são obrigados a cumprir antes da transfusão sanguínea. Isto é, mesmo uma pessoa gay tendo um parceiro fixo e atendendo criteriosamente todas as outras condições necessárias para a realização da transferência, inclusive aos testes rápidos e outros mais precisos da detecção de patologias que impediriam essa ação, não poderão doar por motivos de uma legislação construída sobre estereótipos. A consequência desse estigma é o desperdício de aproximadamente 19 milhões de litros de sangue por ano no país, segundo pesquisa publicada pela revista Superinteressante da editora Abril.
Ademais, percebe-se também que o desperdício de sangue no país é recorrente devido a uma falta de comunicação entre hemocentros estaduais e hospitais municipais. O sangue é um material de difícil acondicionamento, portanto, não basta apenas elevar o volume de doações, sem minimizar a possibilidade de sua perda. Nesse âmbito, percebe-se que o Brasil possui uma baixa quantidade de agências tranfusionais, que, justamente por estarem localizados em regiões de centros médicos assumem as funções de gerenciar o estoque das bolsas de sangue e fornecer assessoria técnica aos hemocentros. Sem esse maciço investimento do Estado, bolsas desse material podem perder suas propriedades essenciais e serem descartadas, diminuindo ainda mais os estoques desse fluído corporal. Portanto, urge que o Ministério da Saúde altere suas portarias que regulam a doação de sangue no Brasil e utilize como único parâmetro para a realização da transfusão os testes para a identificação de doenças que comprometeriam a saúde do receptor desse fluido. Assim, independentemente da orientação sexual, se todos os critérios forem devidamente atendidos não havendo o risco para a saúde de outrem ocorrerá o aumento nos bancos de sangue dos hemocentros das cidades brasileiras. Por fim, faz-se necessário a criação, por parte dos governos municipais, de agências transfusionais nos centros médicos de maior movimentação da cidade, a fim de que bolsas desse precioso líquido não venham a ser perdidas, bem como, a vida de incontáveis brasileiros.
Portanto, urge que o Ministério da Saúde altere suas portarias que regulam a doação de sangue no Brasil e utilize como único parâmetro para a realização da transfusão os testes para a identificação de doenças que comprometeriam a saúde do receptor desse fluido. Assim, independentemente da orientação sexual, se todos os critérios forem devidamente atendidos não havendo o risco para a saúde de outrem ocorrerá o aumento nos bancos de sangue dos hemocentros das cidades brasileiras. Por fim, faz-se necessário a criação, por parte dos governos municipais, de agências transfusionais nos centros médicos de maior movimentação da cidade, a fim de que bolsas desse precioso líquido não venham a ser perdidas, bem como, a vida de incontáveis brasileiros.