Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 10/03/2021

Iniciada por volta de 1910 no Brasil, a doação de sangue é um procedimento de extrema importância na saúde, especialmente em cirurgias e acidentes nos quais há hemorragia. Nos anos 40 foram inaugurados os primeiros bancos de sangue, porém desde então existem muitos empecilhos para manter esses lugares com reservas suficientes para atender aos hospitais, dentre os quais podem-se destacar os estigmas associados à doação e as polêmicas relacionadas aos critérios para ser doador e algumas proibições. Logo, é de extrema importância revisar os conceitos atrelados ao assunto.

Em primeira análise, observa-se que os estereótipos relacionados ao ato de doar sangue, como a alteração no peso, vício, mudança na textura sanguínea ou até mesmo a contração de doenças, são responsáveis pelo déficit brasileiro. Segundo a ONU, o ideal é que 3 a 5% da população sejam doadores, entretanto, em 2014, o Brasil registrou um número de doadores 1,2% abaixo do mínimo sugerido pela Organização das Nações Unidas. Nesse contexto, além do prejuízo causado pelos mitos enraizados na sociedade, a falta de conscientização e a desinformação da população tornam-se aliadas aos estigmas, diminuindo os voluntários para a doação. Sendo assim, torna-se necessário informar e conscientizar o corpo social quanto à importância de ser um voluntário, desmistificando as teorias equivocadas sobre as possíveis consequências de contribuir com os bancos de sangue.

Em segunda análise, há as polêmicas associadas aos critérios exigidos para ser considerado um doador e a proibição de homens cuja orientação sexual os enquadre no grupo dos HSH (homens que fazem sexo com homens) de contribuirem com a campanha. De acordo com dados do IBGE, cerca de 10,4% da população masculina no Brasil é homo ou bissexual e, até o ano de 2013, eram impedidos de doar. Apesar de flexibilizar sutilmente as regras, ainda há o requisito de que esses homens somente estão aptos para realizar a doação após 1 ano de abstinência sexual. No entanto, para um homem que pode ser voluntário no mínimo a cada 3 meses, tal restrição pode gerar uma perda de quase 19 milhões de litros por ano. Dessa forma, deve-se rever a forma de analisar se o sangue é saudável ou não, visando minimizar esse prejuízo causado pela discriminação dos homossexuais.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde promover a conscientização e a flexibilização e revisão dos critérios para a doação, por meio de campanhas que informem a parcela da sociedade que é apta para doar e desmistifiquem os estereótipos e da busca por novos meios de análise das amostras de sangue dos HSH, a fim de aumentar o índice de doações, visto que perdem-se muitos litros por preconceito e desinformação. Atuando na resolução de tais problemáticas, será possível otimizar o intervalo de tempo da coleta do sangue e aumentar a porcentagem de doadores.