Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 06/03/2021
A atual situação dos bancos de sangue brasileiros não é a das melhores que já presenciamos, e obviamente deve melhorar. Temos sim doadores e estoques de sangue, mas não tanto quanto necessitamos, e isso tem afetado negativamente nosso sistema de saúde, principalmente o público.
Segundo dados disponibilizados pelo DataSUS, a doação de sangue no Brasil diminuiu mais de 11% nos primeiros 9 meses de 2020, e essa é uma situação preocupante, pois se nós já vivíamos sufocados e sempre no limite, com essa baixa significante, infere-se que o estado dessa realidade tende a piorar cada vez mais. Nosso país não é autossuficiente no que se refere à hemoterapia. Mesmo que tenhamos um grande contingente populacional, não atendemos aos requisitos ideais da ONU, onde 3 a 5% da população deveria ser doadora, para suprir a própria carência.
Mas por que será que um país com quase 210 milhões de habitantes não consegue manter-se quando o assunto é doar sangue? A resposta pode parecer simples, mas a situação é bem mais complicada do que isso. A desinformação, conjunta com a falta de informações adequadas sobre a doação, e também a falsa ideia de que já existem pessoas o suficiente doando, acarretam no nosso maior problema: a falta de bolsas de sangue disponíveis. As pessoas simplesmente não doam por acharem que não precisam, mas sabemos que a realidade é outra.
Além do mais, existem as restrições que impedem que pessoas que relacionam-se sexualmente com pessoas do mesmo sexo realizem a doação. Tal restringimento contra esse grupo, além de extremamente retrógrado, nos mostra que temos condições de mudar o nosso atual cenário, mas apenas não queremos fazer nada a respeito.
Outrossim, é importante ressaltar que a sociedade precisa trabalhar de forma conjunta com as autoridades competentes para resolver a situação, seja promovendo campanhas de doação ou até mesmo flexibilizando as restrições que impedem um grupo tão expressivo da nossa comunidade de fazer a diferença.