Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 09/03/2021

A manutenção de estoques sanguíneos nos hemocentros brasileiros propicia o auxílio à pacientes cirúrgicos, com câncer e em quadros emergenciais. No entanto, menos de 2% da população nacional realiza doações periódicas - conforme o Ministério da Saúde. Como obstáculos para a ampliação da prática destacam-se: a carência de solidariedade entre a comunidade, associada à baixa conscientização sobre  a importância e o funcionamento do procedimento. Logo, faz-se imprescindível o acendimento de holofotes sociais à causa.

Em primeira análise, vale ressaltar a carência de solidariedade entre os indivíduos como ponto principal do impasse. Segundo o filósofo francês Gilles Lipovetsky, em sua obra “A Era do Vazio”, a sociedade contemporânea caracteriza-se pela individualidade e fluidez de valores. Nesse âmbito, atitudes empáticas e voluntárias - como a doação de sangue -, são pospostas no cotidiano, como retrato do fato verifica-se que, de acordo com o estudo da Organização Pan-Americana de Saúde, quatro em cada dez doadores são classificados como doadores de reposição, ou seja, realizam a contribuição apenas quando um amigo ou familiar precisa de sangue. Isso posto, conclui-se a urgência em incentivar mudanças atitudinais no tecido social.

Outrossim, salienta-se como agravante a baixa conscientização dos brasileiros acerca da temática. Consoante a Organização Mundial das Saúde (OMS), aproximadamente metade do recolhimento mundial de doações sanguíneas advém de países considerados desenvolvidos, onde, predominantemente, tal auxílio representa um elemento da cultura. Contudo, no Brasil, as informações sobre a importância e o funcionamento das doações não alcançam toda a sociedade, tampouco compõe um costume cotidiano, consequentemente, estigmas e mitos - por exemplo em relação à saúde do doador e à riscos de contágios -, afligem o imaginário popular. Logo, faz-se necessário familiarizar a comunidade acerca do procedimento e  de seus benefícios para os necessitados.

Infere-se, portanto, o impacto dos obstáculos supracitados para a doação de sangue no país. Para o enfrentamento dos empecilhos são imperativos arranjos colaborativos sinalizados entre os núcleos educacionais e os órgãos públicos de saúde, na difusão de informações e na inserção da prática na cultura brasileira -visto a impossibilidade de ocorrer um aumento do número de doadores regulares se não houver uma mudança na estrutura do pensar nas futuras gerações-, por meio de campanhas e projetos de grande abrangência, com a finalidade de alterar o cenário brasileiro da doação de sangue.