Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 08/06/2021
O primeiro relato de transfusão sanguínea no Brasil ocorreu em 1910, na cidade de Salvador, e de forma direta, ou seja, braço a braço. Desde esse período houveram diversas inovações tecnológicas e científicas que aprimoraram o processo de doação de sangue que, atualmente, acontece em centros especializados na coleta, armazenamento e manuseio dele e o tornou mais seguro. No entanto, ainda há problemas na contemporaneidade quanto ao enfrentamento dos obstáculos para a ampliação da doação de sangue no Brasil. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: os fatores políticos e sociais.
Inicialmente, o incentivo insuficiente por parte do Estado para mobilizar os cidadãos a realizarem o ato necessário da doação de sangue é evidente. Apesar do governo produzir campanhas de mobilização social no decorrer do ano, como foi em março de 2021 quando o Ministério da Saúde realizou a campanha ¨Meu Sangue Brasileiro¨, essas são pouco difundidas e apresentam baixo grau de esclarecimento. Nesse contexto, há um problema visto que o alto nível de desinformação sobre a importância da doação sanguínea prejudica a manutenção do sistema de saúde na medida que a baixa quantidade do líquido nos hemocentros afeta a atuação dos médicos e o atendimento eficaz dos pacientes.
Ademais, a cultura do Brasil que remedia os problemas em detrimento de preveni-los também fomenta a dificuldade para a ampliação da doação de sangue no país. As pessoas percebem a necessidade de realizar esse ato humanitário apenas no momento em que algum de seus familiares precisa urgentemente do sangue e não há outra alternativa senão conceder o seu mesmo. Segundo a OMS, o percentual ideal da população doadora de sangue de um país é entre 3,5% e 5%, Entretanto, essa estimativa não representa a realidade brasileira uma vez que apenas 2% da população pratica tal ação. Assim, com a baixa participação da sociedade, todo o corpo social é afetado: os hospitais lesam a agilidade dos serviços (devido à baixa quantidade de sangue nos estoques) e os enfermos em situações menos graves permanecem na fila de espera até que tenha o suficiente para receberem.
Portanto, urge que o Ministério da Saúde, juntamente com as Secretarias de Saúde, implemente o Plano Nacional de Esclarecimento sobre Doação de Sangue por intermédio de informes publicitários - na televisão e em anúncios nas redes sociais - e divulgações de cartilhas em locais de grande circulação como escolas e postos de saúde. Tais ações devem ser praticadas com vistas a aumentar os índices de doação de sangue no país e assegurar o pleno funcionamento do sistema de saúde. Assim, os obstáculos para a ampliação da doação de sangue no Brasil serão minimizados.