Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 21/07/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os obstáculos para doação de sangue no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise de dois principais desafios que impedem o pleno desenvolvimento dessa problemática: o descaso governamental e a falta de conscientização da população.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a carência de bolsas de sangue nos hospitais. Nesse sentido, a falta de campanhas informacionais atrativas e clínicas médicas especializadas na coleta de sangue, principalmente em cidades pequenas, distanciam possíveis colaboradores -segundo o Ministério da saúde, apenas 1,8% da população brasileira é doadora-.Além da distância aos hemocentros dificultarem a rápida transfusão de sangue aos necessitados. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à saúde, o que é evidente no país. Logo, essa negligência governamental representa uma das causas do problema.

Cabe ressaltar, ainda, que a série “Grey´s anatomy” ilustra o que foi dito. Em um de seus episódios, ela discorre o dia em que uma equipe de médicos se mobilizou para conseguir a doação de um sangue raro-buscado em outro país, com o objetivo de salvar uma paciente que não conseguiria esperar muitas horas. Nesse sentido, a ficção pode ser relacionada ao Brasil contemporâneo, visto que hemocentros carecem de doadores-principalmente os de genótipos raros, para ter bolsas de sangue à disposição e não passarem pelos percalços que o hospital da série passou. Destarte, a mídia citada exemplifica as consequências da falta de conscientização da população.

Portanto, é mister que sejam tomadas providências para amenizar o quadro atual. À vista disso, para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com redes sociais, trabalhem em conjunto, por meio de verbas governamentais, para a criação de campanhas publicitárias educacionais com ‘hashtags” e influenciadores digitais acerca da importância de ser doador; bem como a ampliação de hemocentros em pequenas e grandes cidades, com o propósito de garantir a saúde da população. A partir disso, espera-se que os obstáculos para a doação de sangue no Brasil sejam amenizados no século XXI.