Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 09/08/2021

“Hemocentros relatam baixas quantidades nos estoques.” Essa manchete, infelizmente, é presente nos principais jornais do Brasil. Diante disso, é possível identificar uma enorme falta de empatia somada com a discriminação da população para que a doação de sangue possa ser realizada. Assim, é necessário que o Estado incentive essa prática para que esse revés seja solucionado urgentemente.

De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade líquida”, as relações no mundo atual são frágeis, autônomas, fugazes, como os líquidos, dessa forma, essa problemática é sinônimo do individualismo e, consequentemente, um grande entrave para ajudar o outro como, por exemplo, na doação de sangue. Nesse sentido, apesar de ser uma prática essencial para a realização de cirurgias, quimioterapias e transplantes sua oferta é restrita e insuficiente. Por conseguinte, muitos pacientes, de forma melancólica, podem correr sérios riscos de vida, principalmente, aqueles que possuem sangue do tipo o – negativo ou positivo- por serem mais raros e só compatíveis com o mesmo tipo sanguíneo. Logo, compreende-se a necessidade de promover a doação de sangue a fim de trocar a sociedade líquida pela que doa bastante líquido, sobretudo, o vermelho.

Além disso, nas décadas de 1980 a 1990, ocorreu a epidemia de HIV e Aids, a qual foi associada aos homossexuais e, consequentemente, eram impossibilitados de doar sangue por serem sinônimo de carregar o vírus. Cerca de quase trinta anos se passaram para que o STF (Supremo Tribunal Federal), em 2017, autorizasse grupos LGBTQIA+ para a doação de sangue, já que foi provado pela ciência que a causa do HIV é o sexo desprotegido. Tal conjuntura dificulta as doações de sangue até os dias atuais. Ademais, os poucos indivíduos que procuram hemocentros costumam ainda sofrer discriminação, visto que as pessoas muitas vezes possuem um preconceito velado com esses grupos, impedindo assim que a prática de salvar vidas não ocorra.

Urge, portanto, que o Estado atue de maneira afirmativa para a resolução da problemática da doação de sangue no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde por intermédio da mídia implemente campanhas publicitárias, por intermédio das propagandas e novelas, que são eficientes meios de divulgação e de informação, a fim de mostrar pessoas que precisam de doação de sangue como pacientes com leucemia fazendo quimioterapias, divulgando o quanto essa prática é empática e ajuda a salvar vidas. Dessa maneira, a população estará mais engajada nesse problema social.