Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 12/08/2021
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, no século XX, proporcionou grande avanço tecnológico em todos os setores. Entre eles, destacam-se a coleta, armazenamento e transfusão de sangue humano, cujo desenvolvimento ajudou a salvar muitas vidas. Entretanto, no Brasil, a baixíssima adesão em campanhas de doação de sangue é um obstáculo. Isso se evidencia não só pelo comportamento coletivo, mas também pela negligência do Estado.
Inicialmente, cabe destacar que o hábito de doar sangue é cultural e, infelizmente, a população brasileira tem pouca conscientização de sua importância. Segundo Émile Durkheim, renomado sociólogo do século XIX, a sociedade molda o comportamento do indivíduo, o qual sofre influências de normas sociais. Nessa perspectiva, é desafiador tentar convencer na adesão de campanhas quando a falta desse recurso não afeta diretamente uma pessoa e seu círculo social, cuja necessidade surge em momentos inesperados. Diante disso, é fundamental que as escolas ajudem a despertar a empatia em crianças e seus familiares com relação a alarmante escassez desse precioso tecido humano.
Além disso, o fracasso das campanhas governamentais preocupa os hemocentros. Segundo dados recentes do Ministério da Saúde, apenas 1,6% da população brasileira doa sangue e muitas cirurgias urgentes não são realizadas devido aos baixos estoques. Esse fato é grave, pois esse coloide é rotineiramente utilizado e sua falta configura-se como um risco à saúde pública. Nesse panorama, é lamentável e provável que isso se mantenha por causa da ineficácia dos órgãos competentes em apenas tentar convencer por meio de mídias, quando deveriam investir urgentemente na educação básica.
Portanto, considerando a falta de conscientização sobre a importância da doação de sangue, torna-se fundamental intervir educacionalmente. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve alterar hábitos culturais, por meio das escolas, com palestras e visitas anuais a hospitais e hemocentros. Essas devem não só ativar o sentimento de empatia, mas também incentivar atos de solidariedade com doações voluntárias. Espera-se, desse modo, uma geração mais consciente e que perpetue bons costumes sociais.