Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/08/2021

Na obra cinematográfica “Grey’s Anatomy”, foi retratada, em um episódio, a história de um paciente, cuja melhora só aconteceria se houvesse uma transfusão sanguínea, a qual ele não recebe, pois não havia mais o seu tipo sanguíneo no banco de sangue do hospital. Contudo, a ficção não se destoa da realidade brasileira, pois ainda há a falta de doadores e assim, consequentemente, ocorre o esvaziamento dos bancos de sangue do país. Nesse contexto, torna-se pertinente o debate sobre a os obstáculos para a doação de sangue no Brasil.

A priori, o individualismo defendido pelo filósofo Adam Smith é um obstáculo para o aumento do número de doadores de sangue. De acordo com ele, somente a busca pelos interesses pessoais poderia levar a sociedade a progredir. Sob esse viés, fica evidente que o egoísmo pregado pelo filósofo torna o corpo social indiferente às necessidades e o dor do próximo, levando-o, muitas vezes, a não participar de iniciativas de doação de sangue. Desse modo, a falta de empatia do homem contemporâneo antecipa a morte de pacientes que dependiam de transfusões, além de colaborar com o esvaziamento dos bancos de sangue.

Outrossim, a omissão do Estado frente à escassez de sangue nos estoques acarreta no não comprimento do 6º artigo da Constituição Brasileira de 1988, que garante saúde a todos os cidadãos do país. Diante disso, é notório a ausência de ações governamentais de incentivo a doação de sangue. Assim, isso dificulta a mobilização de doadores, consequentemente, isso impossibilita a asseguração deste direito. Dessa forma, o descaso das autoridades faz com que ocorra o esvaziamento dos bancos de sangue, o que prejudica no tratamento de algumas patologias, como a anemia falciforme.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Assim, o Ministério da Saúde deve promover campanhas, em parceria com a mídia, de incentivo à doação sanguínea, por meio do custeamento do transporte de obrigatoriamente de suas residências até os hemocentros, de modo a facilitar o deslocamento do doador e, consequentemente, mobilizar mais indicados em doar. Ademais, compete ao Estado promover, com o uso de verbas públicas, a divulgação dessas campanhas no meio televisivo, em horários nobres, e virtual, com o objetivo de sensibilizar a população sobre impactos que o esgotamento de estoques sanguíneos traz para saúde de dependentes de transfusões. Se essa medidas antes de tudo, uma situação trágica representada em “Grey’s Anatomy” não será mais uma realidade no Brasil.