Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 06/09/2021

Na obra cinematográfica “Grey’s Anatomy” foi retratada, em um de seus episódios, a história de um paciente cuja melhora só aconteceria se houvesse uma transfusão sanguínea, a qual não recebe pois não havia mais o seu tipo sanguíneo no banco de sangue do hospital. Contudo, a ficção não se destoa da realidade brasileira, pois ainda há a falta de doadores e assim, consequentemente, ocorre o esvaziamento dos bancos de sangue do país.

A priori, o individualismo defendido pelo filósofo Adam Smith, é um obstáculo para o aumento do número de doadores de sangue. De acordo com ele, somente a busca pelos interesses pessoais poderia levar a sociedade a progredir. Sob esse viés, fica evidente que o egoísmo pregado pelo filósofo torna o corpo social indiferente às necessidades e a dor do próximo, levando-o muitas vezes a não participar de iniciativas de doação de sangue. Segundo o Ministério da Saúde, 16 a cada 1000 brasileiros são doadores de sangue. Desse modo, fica evidente a falta de empatia do homem contemporâneo antecipa a morte de pacientes que dependem de transfusões além de colaborar com o esvaziamento dos bancos de sangue.

Outrossim, a omissão do Estado frente à escassez de sangue dos estoques acarreta no não cumprimento do artigo 6º da Constituição Brasileira de 1988, que garante saúde a todos os cidadãos do país. Diante disso, é notório a falta de ações governamentais de incentivo à doação de sangue. Assim, isso dificulta a mobilização de doadores e, consequentemente, impossibilita a asseguração desse direito. De acordo com a ABIIS (Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde), o ano de 2020 registrou uma diminuição de 20%, das doações de sangue em comparação com 2019. Dessa forma, o descaso das autoridades faz com que ocorra o esvaziamento dos bancos de sangue, o que prejudica no tratamento de algumas patologias, como a anemia falciforme.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Dessa forma, o Poder Público deve estimular a massa a doar sangue com mais frequência. Para tal, urge que o Ministério da Saúde promova campanhas de incentivo à doação sanguínea, por meio do custeamento do transporte, de suas residências até os hemocentros, de modo a facilitar o deslocamento do doador e, consequentemente, mobilizar mais interessados em doar. Ademais, compete ao Governo Federal promover, mediante o uso de verbas públicas, a divulgação dessas campanhas no meio televisivo e virtual, com o objetivo de sensibilizar a população acerca dos impactos que o esgotamento de estoques sanguíneos traz para saúde de sujeitos dependentes de transfusões. Feito isso, a trágica situação representada em “Grey’s Anatomy” não será mais uma realidade no Brasil.