Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 09/09/2021

A série televisiva “Sob Pressão”, dirigida por Andruna Waddington, retrata o cenário caótico de um hospital público do Rio de Janeiro, com ênfase na falta de recursos para a garantia da saúde dos pacientes. Nesse sentido,  a nova temporada desse seriado tem como tema a doação de sangue, o que mostra a relevância dessa prática. Dessa forma, é indubitável a necessidade do aumento do número de transfusões de sangue no Brasil, uma vez que é essencial a diversas finalidades, como os atendimentos de emergência. Entretanto, é válido destacar e mitigar os empecilhos relacionados a distribuição de sangue no contexto brasileiro, como o estigma associado aos doadores homens e homossexuais, como também a falta de conscientização de grande parcela da sociedade brasileira.

Em primeira análise, é importante ressaltar a mudança de alguns paradigmas relacionados a doação de sangue, como a modificação da faixa etária para 16 anos a 69 anos, em novembro de 2013. Porém, é notório que mesmo com a ampliação de pessoas doadoras, ocorre a conservação de um ideal excludente no que se refere a concessão de sangue pela população masculina e homossexual. Nesse contexto, segundo a legislação do Ministério da Saúde e recomendações da OMS, esses indivíduos não podem doar sangue caso tenha algum parceiro sexual nos últimos 12 meses, com a justificativa de um maior risco de transmissão dos vírus do HIV, bem como das hepatites B e C. Logo, é evidente os efeitos desse cenário para o aumento do preconceito entre essas pessoas e, consequentemente, a diminuição da quantidade de doadores voluntários no Brasil.

Ademais, observa-se outro aspecto negativo, isto é, a pouca percepção de grande parte da sociedade a respeito dos mitos e verdades sobre o hábito de transfusão sanguínea. Sob esse viés, conforme o conceito da microfísica do poder, elaborado pelo filósofo Michel Foucalt, existe diversos núcleos de poder que influenciam o comportamento dos indivíduos, como a família e a escola, o que demonstra a importância desses organismos sociais para a desmistificação de informações falsas. Dessa forma, como consequência da falta de informações básicas, como sobre os riscos de contrair alguma doença infecciosa e o tempo de duração da doação de sangue, culmina no quadro atual em que 16 a cada mil habitantes doam sangue, conforme uma pesquisa recente realizada pelo Ministério da Saúde.

Portanto, diante dos fatos supracitados, fica evidente a imprescindibilidade da redução das problemáticas da transfusão de sangue no Brasil. Desse modo, é dever do Ministério da Saúde, órgão responsável pela garantia do bem-estar da população, criar campanhas publicitárias que visam informar jovens e adultos a respeito da importância de doar sangue, com o fito de diminuir as visões errôneas relacionadas a doação de sangue, com o objetivo de aumentar a quantidade de doadores.