Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 20/09/2021
O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos obstáculos para a doação de sangue, visto que, apenas 1,6% da população brasileira é doadora de sangue, conforme dados divulgados em 2020 pelo Ministério da Saúde. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a carência de debate e a lenta mudança na mentalidade social
Primeiramente, é preciso salientar que a falta de debate é uma causa latente do problema. Desse modo, o filósofo Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que o número de doadores de sangue aumente, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, posto que, há pouca discussão sobre os requisitos básicos para doação de sangue e a importância desse ato solidário. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da doação de sangue é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, os brasileiros, na maiorias das vezes, só fazem essa contribuição quando há uma pessoa conhecida precisando. Diante disso, nota-se que esse comportamento leva à diminuição dos níveis de estoques de sangue nos homocentros, já que as pessoas deixam de ajudar voluntariamente o “desconhecido” que também precisa de doação, realidade alarmante que dificulta a resolução do problema.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre os requisitos para doação de sangue e a importância de ser um doador voluntário no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de saúde. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas seres abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.