Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 20/09/2021

Na série ‘’The Blacklist’’, é narrada a vida de Alexander Kirk, um idoso hemofílico que necessita de transfusões sanguíneas frequentes. Na obra, o personagem faceleu, pois o pequeno hospital de sua cidade não oferecia o tratamento necessário para o mesmo. Semelhante a ficção, a doação de órgãos no Brasil ainda é uma problemática que precisa ser tratada. Esse cenário é fruto tanto do estigma da população, quanto da deficiência estrutural do Brasil em relação à captação de sangue nos centros. Com base no supracitado, torna-se evidente que a discussão acerca da doação de sangue no Brasil é algo que deve ser feita.

Primeiramente, cabe abordar que o estigma acerca da doação de sangue no Brasil é um dos fatores que impulsionam a população a não contribuir. Segundo Zygmunt Bauman, em tempos de modernidade líquida, a cegueira moral e a indiferença ao próximo é habitual, tornando-o invisível. Similarmente a ideia de Bauman, a falta de visibilidade àqueles que necessitam da doação é frequente, tornando-os marginalizados na sociedade, e consequentemente podendo-os levar a morte. Assim, é necessário que debates sobre a importância da doação de órgãos seja feita, visando aumentar sua popularidade entre as pessoas.

Ademais, cabe elucidar a falta de estrutura nos hemocentros, que não são distribuídos homogeneamente no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 94% dos hemocentros estão distribuídos em cidades com mais de 200 mil habitantes. Essa situação releva a falta de políticas públicas que prezem pelo aumento da doação, tendo em vista que não garante o acesso à população como um todo. Logo, é mister que medidas políticas sejam tomadas, para que mais pessoas possam doar sangue para quem precisa.

Torna-se evidente, portanto, que a problemática acerca da doação de sangue no Brasil é uma realidade e precisa ser combatida. Assim, cabe ao Executivo combater essa mazela social, mediante investimentos no Ministério da Saúde e no Sistema Único de Saúde (SUS), que devem se distribuir em cidades menores, dando acesso aos hemocentros, possibilitando, assim, a coleta em regiões com menos pessoas. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, junto ao Ministério da Saúde, promover propagandas acerca da doação de sangue, buscando incentivar jovens a doar e quebrando com ‘’mitos’’ como afinar o sangue ou contaminar o doador, muito presentes na mente de várias pessoas. Somente assim, o Brasil poderá se tornar um país reconhecido pela doação de órgãos e, além disso, salvar pessoas que necessitam da transfusão de sangue.