Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 21/09/2021

A Constituição federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura o direito à saúde para todos os cidadãos. Entretanto, na prática, essa garantia não é plenamente efetivada na sociedade, uma vez que encontram-se obstáculos para a doação de sangue no Brasil. Esse nefasto panorama ocorre não só pelo o preconceito social, como também pela presença do individualismo na população. Dessa forma, faz-se necessária uma imperiosa análise dessa conjuntura.

É importante ressaltar, a princípio, que o preconceito presente na sociedade vai de encontro com a problemática. Haja vista que, a relutância em coletar sangue de homens homossexuais, geralmente, em razão do pensamento preestabelecido da possível transmissão da Aids, evidencia uma nação extremamente preconceituosa, fruto da intolerância ao diferente. Tal discriminação, de certa forma, reduz uma parcela significativa das pessoas voluntárias a doar sangue, bem como pode impactar negativamente na quantidade dos estoques de sangue nos hemocentros brasileiros. Desse modo, percebe-se que a antipatia aplicada nesse grupo minoritário, os “gays”, é capaz de interferir bastante no pleno exercício da cidadania, o que, por consequência, torna a mudança desse quadro urgente, já que, os homens homossexuais ou bissexuais representam 10,5 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com o IBGE( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),

Ademais, convém destacar outro fator que contribui para a permanência deste problema: o individualismo. Em face disso, cabe trazer o raciocínio de Aristóteles - filósofo grego - o qual afirma que todo indivíduo é um animal político, que está acostumado a viver em coletividade. Todavia, esse conceito difere totalmente do atual contexto brasileiro, dado que a falta de doadores de sangue no país, demonstra uma sociedade massivamente individualista, a qual não se importa com esse ato solidário. Tal situação, pode refletir no cancelamento de procedimentos cirúrgicos, como os transplantes de orgãos, o que, por sua vez, compromete a saúde de várias pessoas que necessitam desses, sendo, de certa maneira, um aspecto que colabora para o aumento do custo e da lotação em hospitais. Logo, a prática da empatia e da compaixão com o próximo são essenciais para coíbir essa mazela.

Portanto, fica claro que medidas para reversão desta conjuntura são cruciais. Dessa maneira, concerne ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, grande poder de influência, incentivar, por meio de campanhas e anúncios publicitários, a população a doar sangue, enfatizando a importância dessa prática e desconstruindo paradigmas em relação aos doadores homossexuais, em função de sua necessidade, a fim de minimizar os desafios para a doação de sangue na comunidade brasileira. Feito isso será possível a construção de uma nação que desfrute dos elementos elencados na Magna Carta.