Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 21/09/2021
À luz da teoria do filósofo Thales de Mileto, focada na água como elemento constitutivo de tudo-arché, é possível relacioná-la ao processo de doação de sangue presente na atualidade, ao passo que tal líquido impede a morte dos indivíduos. Na ótica da contemporaneidade, nota-se como surgem obstáculos sociais para a solidariedade, seja pelo ritmo frenético da rotina, seja pela persistência de preconceitos. Assim, muitos sujeitos perdem, pela ineficiência de políticas públicas, o direito mais básico: a vida.
Sob a perspectiva da diminuição do tempo livre presente na rotina dos indivíduos modernos, percebe-se como o novo ritmo inviabiliza e desestimula a boa ação em questão. Paralelamente, o Hemorio tem, por exemplo, realizado, em toda a região metropolitana, coletas externas em faculdades, igrejas e até mesmo shoppings, permitindo o encaixe da doação no dia a dia atarefado, mas essa ação não está difundida por todo o Brasil, mantendo baixo os estoques nacionais de sangue. Outrossim, é importante que seja criado um plano nacional para cotidianizar a prática, visto que, mesmo se o doador não estiver sentindo-se bem após, ele pode tirar o dia de licença, mediante apresentação de atestado emitida pelo Hemocentro. Dessa forma, as políticas corretas poderão minimizar os obstáculos.
Outro ponto importante é a comparação entre a teoria da “Ação Comunicativa”, do sociólogo alemão Habermas, fundada no diálogo racional como instrumento imprescindível para a construção de sujeitos, e o não esclarecimento das dúvidas apresentadas pelos indivíduos sobre a doação de sangue. No prisma dos preconceitos, constata-se a não compreensão da importância e segurança envolvida, refletindo na criação de riscos e medos irreais do processo pela mente dos sujeitos. Logo, a falta de um processo comunicativo educativo e conscientizador reflete no afastamento de potenciais doadores saudáveis.
Portanto, para resolver a questão da falta de tempo, cabe às ONG’s, agentes que compreendem o cotidiano de cada local, em conjunto com os Hemocentros estaduais, estabelecer calendários para a coleta externa em locais públicos, por meio da divulgação em redes sociais e mídias locais, a fim de atingir o maior número possível de moradores. Também é vital que a mídia televisiva apresente campanhas educativas, tendo como suporte profissionais da saúde e jornalistas capazes de, em conjunto, tornar o jargão científico mais simplificado, como intuito a conscientização verdadeira, evitando que a solidariedade não seja realizada por preconceitos culturais ou falta de informação. Dessa forma, a articulação sociopolítica de diferentes setores auxiliará na garantia de sangue para todos que precisarem, ou da archè, segundo Talles.