Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 28/09/2021

Na novela “Bom sucesso”, conta-se a história de Gabriela, uma adolescente que enfrenta uma anemia severa e necessita de uma transfusão de sangue para sobreviver. Fora da ficção, encontram-se diversos obstáculos para doação de sangue no Brasil. Destacam-se, diante disso, o vulnerável incentivo governamental e o individualismo social como paradoxos da saúde pública. Portanto, faz-se vital ratificar ações empáticas entre os brasileiros e retificar a desvalia atribuída a esse viés.

Nesse contexto, é imprescindível ressaltar que a Constituição Federal de 1988 garante que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, de forma que o não cumprimento dessa norma significa o retrocesso de toda conjuntura social. Nesse sentido, a escassez das doações de sangue está vinculada na falta de competência no aplicar do Legislativo, uma vez que omissão de políticas públicas nas escolas e universidades e perpetua o desinteresse social em ajudar os demais. Segundo Milton Santos, geógrafo brasileiro, a democracia será efetiva quando todos os brasileiros desfrutarem plenamente os direitos políticos, civis e sociais de maneira igualitária, ou seja, campanhas de incentivo à empatia e ao voluntariado são fundamentais na promoção do bem-estar coletivo.

Ademais, outro fator que delimita o impasse é o individualismo existente na contemporaneidade como uma barreira para a adesão de doadores de sangue, visto que a compaixão, a empatia e o altruísmo são comportamentos motivadores da solidariedade. Corforme Taloot Parsons, as famílias são máquinas que reproduzem personalidades humanas, ou seja, a cultura egocêntrica é resultante de um exemplo passado culturalmente por gerações. Logo, um empecilho a ser superado é pensamento social voltado para a bolha indivídual, de maneira que desde a primeira infância as crianças sejam desenvolvidas sobre a importância de se voluntariar à doação sanguínea.

Por tudo isso, urge que o Governo Federal invista recursos suficientes nas escolas públicas do país, patrocinando palestras sobre a solidariedade e a empatia, por meio de profissionais no âmbito Sociologia e Psicologia, com o intuito de tratar egocentrismo e ampliar o banco de sangue dos hospitais. Além disso, o Poder Execultivo deve repassar verbas à midia, com o objetivo de financiar novelas como “Bom sucesso”, de forma que seja abordado assuntos que incentivem as práticas que salvam vidas como a história de Gabriela. Quiçá, poder-se-á enxergar uma sociedade mais equilibrada e altruísta.