Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 28/09/2021

Em um capítulo da quarta temporada de “Sob Pressão”, série produzida pela Rede Globo, um paciente precisa urgentemente de sangue, entretanto, o hospital não possui  bolsas no estoque, o que sensibiliza acerca importância da doação regular de sangue. Assim como retratado na ficção, o número ínfimo de doadores de sangue é um infortúnio persistente no Brasil. Desse modo, é substancial discutir não somente as consequências graves do imbróglio, mas também os fatores que impedem subverter essa realidade deplorável.

Precipuamente, convém salientar que, segundo a Agência Brasil, somente 1,8% dos brasileiros entre 16 e 69 anos doa sangue regularmente. Nessa lógica, percebe-se que uma parcela significativa dos hospitais operam em situação de emergência com relação às bolsas de sangue disponíveis. Esse cenário é agravado no período de festas de fim de ano e feriados prolongados, uma vez que os acidentes -domésticos e de trânsito-, que são mais recorrentes em tais épocas, só aumentam a demanda por sangue. Consequentemente, tratamentos de cancêr, como a leucemia, e cirurgias eletivas são seriamente afetados, devido à necessidade do atendimento de casos ainda mais urgentes.

Outrossim, é indubitável que os estigmas associados à doação de sangue é um fator-chave na perpetuação desse cenário maquiavélico. Acerca dessa premissa, nota-se a refutação do pensamento elaborado por René Descartes, segundo o qual os indivíduos nunca devem aceitar como verdade tudo o  que chega de informação. A título de ilustração, é mister citar o caso das “fake news”, isto é, há indivíduos de comportamento desfigurado que disseminam efeitos graves ou que o ato de doar sangue pode transmitir doenças infectocontagiosas, fazendo com que cidadãos de baixo senso crítico acreditem em tais informações errôneas e ilegítimas. Diante disso, medidas são necessárias para dilapidar esse cenário insustentável.

Ante os fatos, é imperativo que o Ministério da Saúde, por meio das escolas de nível médio, engaje-se na divulgação de informações verídicas acerca da doação de sangue. Para tanto, devem ser disponibilizados médicos e enfermeiros para a realização de palestras abertas ao público que enfatizem a inexatidão de pensamentos que afirmam as consequências negativas da doação de sangue, estimulando atividades lúdicas que desenvolvam a empatia nos brasileiros desde a tenra idade, e também compelir os adultos em geral que passem a realizar esse ato que pode salvar milhares de vidas. Tais medidas visam superar a deficiência dos estoques de sangue mediante a disseminação de conhecimentos verídicos à população e, assim, deturpar da realidade brasileira cenas como a retratada em “Sob Pressão”.