Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/10/2021

A evolução da transfusão sanguínea foi revolucionária na época das guerras mundiais, pois precisava-se de um estoque e técnicas mais avançadas para socorrer as vítimas. Assim como nos grandes conflitos, necessita-se, diariamente de doações, por conta de inúmeras pessoas acidentadas que precisam de sangue quando chegam aos hospitais. Apesar da grande utilidade das doações sanguíneas, ainda persiste uma elevada deficiência nos bancos sanguíneos, oriunda da baixa assiduidade dos doadores. Desse modo, a existência de empecilhos na conscientização da importância das doações e a permanência de restrições discriminatórias corroboram para o agravamento do panorama.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a falta de informação favorece o desconhecimento sobre a importância de doar sangue. De acordo com o Ministério da Saúde apenas 1,8% da população brasileira doa sangue. Assim, está fora do esperado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que estabelece uma taxa de 3%. Dessa forma, nota-se que na sociedade brasileira, ainda persistem os obstáculos no acesso à informação, pois as campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda. Além disso, com a pandemia da Covid-19, aumentou-se a preocupação com o desabastecimento dos hemocentros, já que as doações diminuíram por conta do isolamento social e poucas estratégias efetivas foram feitas para melhorar o cenário. Dessa maneira, a ausência de sangue nos hemocentros marca a situação.

Ademais, as normas do controle de coleta são discriminatórias e segregacionista com parte do público. Segundo o médico imunologista, Drauzio Varella, as normas atuais são obsoletas e o que deve ser analisado, em questão, é o comportamento de risco, o qual pode ser adotado tanto por heterossexuais ou homossexuais. Desse modo, não faz o menor sentido em restringir a doação pela sexualidade. Porém,  a persistência de estereótipos atribuídos aos homens homossexuais e, consequentemente, o preconceito ainda enraizado na sociedade, influenciam na inclusão dessas pessoas em um grupo de risco,  mesmo não tendo condutas perigosas. Assim, essa conduta contribui com esse grave cenário.

Fica evidente, portanto, que é imprescindível ultrapassar esses obstáculos. Dessa maneira, a mídia deve ampliar o acesso à informação como forma de conscientizar a população, assim por meio de campanhas na televisão, internet e outdoor para uma maior visibilidade e com finalidade de aumentar o interesse da população. Além disso, o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, deve investir em mutirões de coleta, por meio de bancos movéis nas ruas e na reformulação das normas de doação seguindo os parâmetros do comportamento de risco para que não haja nenhum tipo de segregação.