Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 13/10/2021
A série da HBO “Grey’s Anatomy”, introduz uma temática de procedimentos médicos e os desafios que estes podem vir a ter, abordando, também, problemas quanto ao abastecimento de sangue nos estabelecimentos. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança alta no que tange a um tema de altíssima relevância na sociedade brasileira atual: os obstáculos para a doação de sangue. Diante disso, é urgente compreender que a inércia governamental dá manutenção ao tema e, por consequência, acarreta na não criação de programas sociais eficientes.
Em primeira análise, compreende-se que o governo federal, como maior órgão do país, é o agente que deveria impor uma mudança no tema, conquanto, ele não a faz. Segundo a filósofa Hannah Arendt, o âmbito governamental passa, em doses distintas, doutrinas de pensamento para sua população, guiadas, mormente, por seus projetos e programas sociais. Desse modo, entende-se que tal teoria se aplica à atual conjuntura brasileira, haja vista que é indiscutível o pequeno papel do Estado no que diz respeito aos obstáculos para a doação de sangue no Brasil, fato esse que provoca, indubitavelmente, a não criação de projetos sociais que visem resolver o tema. Em suma, fica demostrado que o atraso nas dinâmicas de doação sanguínea no território é causado, sobretudo, pela inércia governamental, trazendo, logo, prejuízos para toda a nação.
Ademais, torna-se evidente que a falta de projetos sociais é um grande problema que deve ser combatido. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), um país contém uma quantidade de doadores de sangue ideal quando esses ultrapassam mais de 4% da população total da nação, porém, no Brasil, tal indicador não supera o esperado. Outrossim, conforme demostrado pela série “Grey"s anatomy”, pessoas continuam tendo receio em doar sangue por motivos bobos e não cientificamente corretos, mantendo-as não adeptas da doação de sangue. Dessa forma, correlatando-se os fatos, fica claro que o medo é um pilar que mantém vigente os inúmeros desafios para se obter uma população que doe sangue no país. Por fim, cabe reafirmar a tese de Arendt, pois alcançar o objetivo de ter mais de 4% da população ativa na temática, só será feito caso o Estado aja na questão.
Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. A fim de incentivar a doação de sangue no Brasil, urge ao Ministério da Educação e da Cultura, promover programas socias que incentivem a população a doar sangue no país, por meio de propagandas em veículos de comunicação. Isso pode ocorrer, por exemplo, com ajuda de profissionais competentes na área médica e socioeducacional, tentando criar um maior engajamento no tema. Enfim, espera-se não somente melhorar a problemática, como também que os problemas como o da série da HBO deixem de ocorrer.