Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 22/10/2021
Em um dos episódios da série norte-americana “Grey’s anatomy”, a doutora Jo Wilson descobre que seu paciente possui o sangue dourado, uma tipologia sanguínea extremamente rara. Na trama, médicos e família se unem para a desafiante tarefa de encontrar um doador viável. De forma análoga, o Brasil apresenta vários obstáculos na doação de sangue, fato que compromete a vida de muitos cidadãos. Destarte, cabe citar como tais impasses tanto o forte individualismo na sociedade quanto a escassez de informações sobre a doação sanguínea.
Nessa conjuntura, é de caráter basilar a menção do filósofo Gilles Lipovetsky, o qual afirmava que a pós-modernidade é caracterizada pelo hiperindividualismo. Sob esse prisma, é perceptível que a mentalidade egocêntrica da população brasileira desenvolve uma sociedade apática e com baixa responsabilidade social. Tal contexto impacta gravemente as doações de sangue no país, haja vista que essa atitude depende da sensibilidade e do altruísmo dos cidadãos. Dessa forma, é possível afirmar que a ausência de uma cultura doadora na nação é uma consequência do forte individualismo, já que esse constrói pessoas indiferentes com as necessidades dos outros.
Outrossim, urge apontar que, segundo o Ministério da Saúde, menos de 2% da população doa sangue, ao passo que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 3% a 5%. Esse cenário advém do escasso incentivo do Estado, o qual divulga poucas informações e detalhes sobre o assunto. Devido a isso, diversos indivíduos sentem receio em doar esse fluido fisiológico, uma vez que, sem a conscientização do governo, a sociedade fica refém dos estigmas e das fake news que cercam a doação sanguínea. Nesse sentido, consoante o pensador Francis Bacon, o conhecimento é essencial para contornar as adversidades da natureza. Analogamente, proporcionar informações e orientar os cidadãos é fundamental para combater a escassez das doações de sangue.
Portanto, é importante que os Ministérios da Saúde e da Educação colaborem para promover uma campanha robusta que busque incentivar a coletividade à doação sanguínea. Isso deve ocorrer mediante a criação da “Semana vermelha”- evento dedicado a sensibilizar e a informar a sociedade sobre a doação de sangue, além de colher esse material de voluntários. Tal evento deve ocorrer várias vezes ao longo do ano, nos hemocentros das cidades, e possui o intuito de reduzir a apatia e o receio social, para que, desse modo, a doação de sangue aumente no país.