Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 04/11/2021
Durante a Segunda Guerra Mundial, um dos principais desafios enfrentados pelos médicos no campo de batalha era o baixo estoque de sangue. Todavia, ao analisar a questão das doações de sangue no Brasil, percebe-se que a problemática vivenciada no século passado, ainda, está presente na sociedade brasileira. Esse problema, cuja causa se relaciona, sobretudo, ao preconceito contra homossexuais que são impedidos, muitas vezes, de doarem sangue, gera sérias consequências, como o baixo número de doadores no Brasil.
Diante desse cenário, faz-se possível relacionar o pensamento do filósofo moderno Thomas More que em seu livro, A Utopia, descreveu uma sociedade na qual não havia injustiças e nem diferenciação entre os indivíduos. Nessa perspectiva, ao analisar a questão da doação de sangue no Brasil, nota-se que o ideal de More está cada vez mais distante de ser alcançado, visto que o preconceito contra homossexuais impedem que eles possam doar sangue, uma vez que são considerados grupos de risco para a transmissão de DST( doença sexualmente transmissível). No entanto, de acordo com dados da secretaria de saúde do estado do Rio de Janeiro o aumento de casos de DST, principalmenta a AIDS, ocorrem, em grande maioria, em mulheres heterossexuais, o que mostra que impor condições à doação de sangue às pessoas LGBTs são uma forma de perpetuação do preconceito.
Seguindo essa premissa, torna-se imprescindível ressaltar que impedir que homossexuais doem sangue pode gerar consequências prejudicias, como o baixo número de doadores de sangue. Nesse contexto, é válido citar que segundo o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) 98,2% da população brasileira não é doadora de sangue. Em virtude disso, o baixo estoque de sangue nos hemocentros é uma realidade, o que prejudica o atendimento de emergências que necessitam do uso de transfusões.
Medidas, portanto, tornam-se necessárias para que preconceitos não estejam presentes no processo de doação de sangue. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, com auxílio dos hemocentros, deve promover políticas públicas que visem combater ao preconceito. Para isso, é preciso que as diretrizes que impedem a doação de sangue por homossexuais sejam mudadas e uma maior análise dos sangues doados sejam realizadas, para que grupos não venham a ser selecionados a partir de sua vida sexual. Assim, o Ministro da saúde deve se reunir com diretores dos hemocentros e reformular as instruções preconceituosas, retirando-as da pauta do Ministério. Além disso, o Mistério da saúde também deve destinar recursos para os centros de doação de sangue, com o objetivo de modernizá-los e garantir uma maior análise dos sangues, aumentando, assim, a segurança de todas as doação. Com isso, gradativamente, as diferenças deixarão de existir, como idealizou Thomas More.