Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/11/2021

O filósofo Arthur Schopenhauer, em sus estudos sobre os limites do campo visual, afirma que um ser humano baseia-se apenas as suas próprias experiências, tornando-se moralmente cego para as mazelas sociais ao seu redor. Sob esse prisma, notam-se esses comportamentos na população, no que tangem os obstáculos enfrentados para a doação de sangue no Brasil, tendo a falta de debate acerca do tema e a inobservância estatal na publicidade como causas relevantes no agravo do problema.

Nesse cenário, salienta-se como causa latente da escassez na oferta voluntária de plasma sanguíneo a inexistência de diálogo nas instituições de ensino, permitindo que a circulação de notícias falsas e, consequentemente, a apatia dos indivíduos ocorra. Outrossim, de maneira análoga, Immanuel Kant discorre a respeito da liberteção dos homens, a partir do esclarecimento, para que se promova a emancipação do pensamento e previna a comunidade de alienar-se. Portanto, por não se estimular jovens e crianças a desenvolver saberes sobre o tema, os índices de doadores tendem a diminuir com o passar do tempo, prejudicando a dinâmica do sistema de saúde no território brasileiro.

Ademais, é válido ressaltar que a falta de atenção dos governantes na propagação informacional a respeito  da doação de sangue coopera no agravo dos baixos níveis no estoque de hemocentros do país ao longo do ano, uma vez que as publicidades realizadas por órgãos responsáveis não têm alcance suficiente para promover um aumento de voluntários, nem para expor as “fake news”. Nesse sentido, o filósofo liberalista John Locke afirma, em sua tese do contrato social, que é um dever do Estado garantir a igualdade de acesso à saúde, ainda que seja preciso fazer uso de outros modais, como os veículos de comunicação, para que isso ocorra. Não obstante, no contexto atual, vê-se que a promoção da sensibilização fica prejudicada, uma vez que as autoridades não têm essa pauta como prioridade, fomentando o atraso no tratamento de muitos indivíduos que dependem dessas contribuições para viver.

Diante do exposto, é necessário que o Governo Federal, como órgão atuante em máxima administração executiva, possa agir em prol das minorias brasileiras, por meio da implementação de palestras nas escolas, voltadas à comunidade, com a participação de profissionais da saúde para que explicitem acerca de como ocorre o processo voluntáro e os impactos gerados na vida dos doentes, bem como sejam veículados nas redes sociais e na televisão vídeos publicitários explicativos, com dados e instruções do procedimento. Logo, será possível estabelecer a reflexão a respeito da temática, além de estimular a população a tornar-se ativa na doação de sangue, aumentando o volume dos depósitos e ajudando aqueles que necessitam.