Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Acidentes. Doenças. Cirurgias. Muitos são os motivos que levam um indivíduo a necessitar de doações de sangue. Entretanto, na sociedade brasileira do século XXI, esse ato não ocorre com a frequência necessária. Isso porque as excessivas regras exigidas e a falta de empatia da população configuram-se como empecilho para tal. Assim, é imprescindível a adoção de medidas nos âmbitos governamental e educacional para que seja possível intervir no atual panorama.
Em primeira análise, destaca-se as normas excessivas como um impeditivo à ampliação da doação de sangue no Brasil. De acordo com o artigo 5º da Constituição Brasileira, todos são iguais perante a lei, obtendo os mesmos direitos e deveres enquanto cidadãos. Contudo, ao se observar as regras para doação sanguínea, nota-se que a legislação não é cumprida. Prova disso é a proibição de tal ato, por exemplo, para aqueles que tiveram contato sexual em troca de dinheiro, mesmo mediante a apresentação de exame que comprove que o indivíduo não apresenta IST’s. Com isso, além de se reforçar estereótipos, diminui-se o contingente populacional apto a doar sangue, prejudicando essa iniciativa no país. Então, é necessária a mudança das normas vigentes para doação no Brasil.
Ademais, a apatia da população é uma das barreiras para a intensificação da doação de sangue. Nesse sentido, cabe considerar o pensamento do filósofo polonês Zygmunt Bauman, que explicava que, na modernidade, o homem tornou-se extremamente individualista. Sob esse prisma, ao não visualizar um explícito benefício para si próprio no ato da doação, a pessoa, que, em geral, não se sente realizada apenas com o fato de ajudar ao próximo, opta por não doar. Dessa forma, a liquidez dos relacionamentos humanos tornou-se uma das causas da problemática.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se superar os entraves para a ampliação da doação sanguínea no Brasil. Sendo assim, compete ao Ministério da Saúde alterar as restrições impostas aos doadores, autorizando os casos em que há proibições àqueles que podem comprovar que são sadios, semelhante ao que ocorreu com homens homossexuais. Além disso, cabe às escolas, como instituições formadoras de cidadãos, demonstrar a importância de doar sangue. Isso seria realizado por meio da elaboração de palestras que, ao convidar indivíduos que puderam sobreviver devido à doações, busquem sensibilizar os discentes a realizar tal ato quando atingissem a idade mínima. Dessarte, intensificaria-se no Brasil o contingente populacional que, ao doar sangue, ajuda ao próximo.