Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 19/11/2021
Durante a Segunda Guerra Mundial, conflito ocorrido no século XX, houve o surgimento dos bancos de sangue, que permitiram o salvamento de diversos civis e militares. Hodiernamente, no Brasil, o número de indivíduos voluntários contribuintes para o estoque é baixo e, muitas vezes, insuficiente. Isso deve-se ao egocentrismo da comunidade somado à restrição do ato por algumas orientações sexuais.
Sob essa ótica, é importante ressaltar o individualismo presente na vida dos brasileiros. De acordo com José Saramago, em seu livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, a sociedade retratada é acometida por uma “cegueira branca”, termo usado para representar o egoísmo pessoal frente às mazelas sociais. Nesse sentido, na contemporaneidade, a visão do autor faz-se presente no cenário da doação de sangue, que por ser uma prática de pouco beneficiamento pessoal, na medida que não gera retorno ao doador, é negligenciada, resultando no pequeno número de voluntários e, consequentemente, no baixo estoque do suprimento. Logo, a fim de minimizar o impasse, urge a necessidade de uma maior conscientização do povo, possibilitando o crescimento das doações.
Outrossim, a negligência governamental agrava o problema. De acordo com o artigo 5 da Constituição Federal, “Todos são iguais perante a lei”, no entanto, ainda que este seja um direito básico e que o Governo seja capaz de assegurá-lo, percebe-se que tal justiça não é efetivada, uma vez que homens homossexuais são restringidos a eferecerem sangue apenas se não tiverem tido relações sexuais em um intervalo de 12 meses. Todavia, essa lógica advém do dado da OMS em que homens que se relacionam com outros homens apresentam 19,3 vezes mais chance de terem o vírus HIV, ideia não apenas obsoleta, mas também discriminatória, uma vez que existem métodos de proteção como camisinhas. Nessa lógica, é evidente que essa limitação contribui para a pequena reserva do líquido vital, dado que a comunidade homoafetiva é numericamente relevante e poderia ajudar inúmeros enfermos.
Nesse viés, faz-se necessário que o governo federal, como instância máxima de administração executiva, atue em favor do povo, por meio da promoção de palestras, que serão disponibilizadas nas redes sociais governamentais, buscando conscientizar a população acerca da importância da doação, minimizando o óbice. Ademais, deve também o governo federal, impedir a continuação da restrição para homossexuais, a fim de diminuir a descriminação ao grupo e incrementar os bancos de sangue criados na Segunda Guerra Mundial.