Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 13/03/2022

Em outubro de 1988 a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo o conteúdo assegura o direito à saúde. Doar sangue é um ato voluntário de solidariedade que pode ajudar a salvar muitas vidas. No entanto, campanhas publicitárias nesse contexto não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda. Desse modo, torna-se necessária a criação de ações afirmativas para mudança desse quadro.

Nessa conjuntura, especialistas do setor da saúde, em entrevista à BBC Brasil afirmam que apenas 1,8% da população brasileira doa sangue, entretanto, a ONU considera o valor ideal entre 3% a 5%. Por outro lado, isso não significa que o Brasil doe “pouco”, mas sim que poderia “doar mais”. Outro fator importante, é que muitos hospitais não possuem as chamadas “agências transfusionais”, que gerenciam os estoques de bolsas de sangue e fornecem acessoria técnica, o que é preocupante.

Ademais, ainda há um grande estigma acerca da doação de sangue em nosso país. Segundo a chefe de antendimento ao doador do HemoRio, a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de mitos. Muitos acreditam que se doarem uma vez, terão que doar sempre ou têm medo de contrair alguma infecção durante a coleta, por exemplo. Logo, é preciso desfazer esses mitos e informar os indivíduos sobre a importância e os benefícios da doação sanguínea.

Portanto, ampliar a exposição de dados informativos sobre as campanhas de doações sanguíneas, tanto na televisão quanto na internet, como em espaços físicos é imprescindível para incentivar os cidadãos a exercerem a solidariedade. Entretanto, não basta apenas elevar o volume das doações mas também aumentar os recursos financeiros mediante o Ministério da Saúde que deve investir em aparatos tecnológicos a fim de proporcionar infraestrutura adequada das agências transfusionais e que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, bem como a qualidade do sangue. Dessa forma, as pessoas se sentiriam mais seguras para realizar as doações, o número de voluntários cresceria e os pacientes que carecem de transfusão sanguínea seriam ajudados.