Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 13/07/2022
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, retrata-se a chamada “cegueira branca”, que atinge todos os habitantes da cidade, impedindo-os de ver a realidade. Ao sair do âmbito literário, o contexto nacional brasileiro se encontra de forma semelhante, uma vez que há obstáculos perpetuados pela nação, como na doação de sangue. Nesse sentido, a negligencia estatal e a falta de empatia social contribuem para a fomentação desse pernicioso cenário.
De início, é válido destacar o descaso do Estado como principal empecilho frente ao problema em destaque. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever das autoridades manter o bem-estar populacional; porém, isso não é praticado no Brasil, dado que se encontram barreiras para a conscientização dos cidadãos sobre os benefícios da doação sanguínea, comprometendo a saúde, e muitas vezes a vida, dos que necessitam disso. Por isso, faz-se mister a reformulação das atitudes estatais de forma urgente.
Ademais, vale salientar a ausência de empatia como fator crucial para a recorrência da dificuldade em relação ao aumento da doação de glóbulos vermelhos. De acordo com o sociólogo Zygmund Bauman, a interação entre as pessoas no século atual caracteriza-se pela modernidade líquida, com o individual sobrepondo o coletivo. Sendo assim, o fato de parte da população carecer de identificação emocional prejudica o compartilhamento sanguíneo, já que não há sensibilização sobre essa pauta.
Portanto, com objetivo de alterar o cenário exposto, é dever do Ministério da Saúde, em parceria com a mídia – a qual possui grande influência na sociedade hodierna –, a criação de programas de ensino e incentivo, por meio do compartilhamento de publicações e comerciais em horários diversos, além de palestras públicas organizadas por profissionais, a fim de estimular atitudes solidárias de doação sanguínea pela população. Somente assim, porá fim à “cegueira branca” no Brasil.