Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 18/10/2022
O poeta pós-modernista brasileiro Manoel de Barros desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, que consiste em dar importância a assuntos fre-quentemente esquecidos ou ignorados. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se necessário discutir acerca da doação de sangue no Brasil, uma vez que o ultrapas-sado sistema de coleta e a pouca divulgação desse serviço contribuem para uma redução dos estoques de sangue, o que arrisca a saúde pública. É cabível, portanto, analisar tais aspectos e elaborar uma medida que solucione a mazela no país.
Inicialmente, é importante apontar a discriminação de LGBTs como um dos principais agravantes desse problema. Nesse sentido, ainda que essa prática tenha sido proibida, em 2021, ainda são frequentes os relatos de homossexuais que ti-veram seu sangue negado nos postos de coleta, reflexo da década de 1980, quan-do esse público era considerado como grupo de risco do vírus HIV. Com isso, mi-lhões de litros de sangue são desperdiçados anualmente, resultado de um sistema preconceituoso que não apenas tira a oportunidade daqueles que querem contri-buir, mas também arrisca a vida daqueles que precisam das doações.
Ademais, a falta de divulgação desse serviço também colabora para a redução dos estoques de sangue. Para reforçar essa ideia, o sociólogo alemão Jurgen Ha-bermas abordava, em suas obras, o “agir comunicativo”, que se refere a promoção de transformação social e política por meio da comunicação. Sob essa perspectiva, a postura do Estado contrasta com a ideia do autor, uma vez que há escassez de campanhas satisfatórias voltadas à conscientização da importância da doação de sangue e da destruição de estigmas associados a LGBTs. Assim, é evidente que medidas devem ser tomadas para reverter o presente quadro.
Desse modo, o governo federal deve adotar iniciativas eficazes para superar esses desafios. Para tanto, ele deve agir por meio do Ministério da Saúde e elabo-rar campanhas publicitárias que exibam os níveis dos estoques dos bancos de san-gue e chamem atenção para a necessidade de receber doações, bem como realizar vistorias nos postos de coleta, a fim de garantir que não haja a discriminação base-ada na sexualidade dos doadores. Dessa maneira, será possível enfrentar os obs-táculos da doação de sangue no Brasil.