Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 29/10/2022
Segundo Jean-Paul Sartre, o homem é capaz de escolher as suas próprias ações, pois é livre e responsável. No entanto, tal responsabilidade não se faz presente no que tange à problemática da doação de sangue no Brasil, que tem enfrentado obs-táculos para o salvamento de vidas devido à baixa adesão da população. Nesse contexto, configura-se um complexo problema que tem como causas o silencia-mento do tema e a falta de conhecimento o corpo civil.
Sob esse viés, em primeiro plano, a invisibilização da temática impacta na ques-tão. De acordo com essa perspectiva, Djamila Ribeiro afirma que é preciso tirar u-ma situação da invisibilidade para que soluções sejam tomadas. Com efeito, tal ne-cessidade é vista no panorama da falta de doações sanguíneas no Brasil, uma vez que há ausência de campanhas publicitárias governamentais na televisão que conscientizem a sociedade sobre a importância de ajudar na manutenção dos esto-ques de hemocentros. Desse modo, sem conscientização, infelizmente, poucas são as pessoas adeptas à essa causa e diversas mortes, que poderiam ser evitadas com um simples ato, acontecem. Destarte, é preciso debater mais o tema.
Outrossim, é coerente apontar o déficit informacional como um fator agravante do problema. Seguindo essa lógica, Immanuel Kant aponta que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. De fato, tal relação é notória no tocan-te à baixa da quantidade de pessoas que se voluntariam para a realização de trans-fusões, dado que uma parcela significativa de brasileiros, preocupantemente, ainda acredita que a orientação sexual é um impeditivo para as doações, por exemplo. Dessa forma, a não democratização das informações científicas se torna um desafi-o para que cidadãos sejam salvos. Assim, urge informar o povo.
Portanto, é necessário intervir nesse cenário. Para tal, o Ministério da Educação deve promover campanhas publicitárias na TV, bem como “workshops” em locais públicos, sobe o caráter fundamental da doação de sangue e as formas de fazê-la, a partir da deslegitimação de “fake news” atreladas à temática. Essa iniciativa ocor-rerá por meio de uma Lei de Diretrizes Orçamentárias, a fim de mitigar a falta de debates a respeito da problemática. Ademais, tal ação pode contar com divulgação na internet. Dessa maneira, a responsabibilidade sartriana será concretizada.