Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 06/11/2022

Doar sangue é um ato de solidariedade e empatia, e no Brasil, apesar da taxa de doação ser de 1,4% e, portanto, estar dentro do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda é necessário trabalhar para aumentar esse número. Nesse viés, a demanda de bolsas de sangue no país acaba por ser maior que a oferta dessas nos hemocentros brasileiros, que sofrem uma baixa no estoque, em consequência disso. Diante disso, dois aspectos se destacam como entraves para a doação sanguínea: a carência de informação e de empatia dos cidadãos brasileiros.

Em primeiro plano, é importante destacar que a lacuna informacional resulta em um menor número de doadores. Nesse âmbito, segundo pesquisa da farmacêutica Abbott, 48% dos brasileiros não doam sangue por medo ou falta de informação. Tal dado mostra que as pessoas sabem que a doação de sangue é imprescindível, contudo, o processo é pouco discutido, o que leva a criação de dúvidas e mitos nos indivíduos. Dessa forma, infere-se que para aumentar a doação é necessário sanar a falta de informações e dismitificar essa prática.

Além disso, pode-se ressaltar a carência da compreensão afetiva dos indivíduos. Nesse ângulo, o filósofo Zygmunt Bauman, em seu livro “Modernidade Líquida”, infere que a sociedade contemporânea é marcada pelo individualismo. Consoante a esse pensamento, uma parcela significativa da sociedade não possui identificação emocional e, assim, a doação de sangue é prejudicada. Desse modo, é possível perceber que para promover a doação sanguínea é preciso incentivar a empatia no corpo social brasileiro.

Logo, observa-se a relevância de combater esses obstáculos para aumentar o número de doadores. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, promova campanhas de conscientização sobre a importância da doação de sangue, nas redes midiáticas do país, a fim de mitigar as dúvidas e medos e de fomentar o surgimento de empatia na população. Assim, os brasileiros se tornarão mais informados e solidários e o número de doadores regulares aumentará, fornecendo um estoque sanguíneo satisfatório.