Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/05/2023

O escritor Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do Caminho”, retrata, de modo figurado, os contratempos que o ser humano sofre em sua jornada. Analogamente, esse preceito assemelha-se à luta cotidiana dos obstáculos da doação de sangue no Brasil, visto que os números de doação de sangue entre os brasileiros é muito baixa. Dessa maneira, é evidente que a problemática se desenvolve não só devido à falta de comunicação sobre a importância da doação, mas também a restrição que homossexuais encontram para doarem sangue.

Em primeiro plano, é lícito postular a ausência de medidas governamentais para combater à falta de diálogo sobre a importância da temática. Sob a perspectiva do filósofo São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática, todos os indivíduos são dignos e tem a mesma importância, além dos direitos e deveres que devem ser garantidos pelo Estado, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, por causa da baixa operação das autoridades, a população não possui a clara consciência que uma única doação pode salvar até quatro vidas, e que todas as vidas devem ser valiosas para o Estado. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, a restrição e preconceito contra a doação de sangue da população homossexual também pode ser apontado como promotor do problema. Conforme o IBGE, apenas 1,8% da população brasileira é doadora de sangue, o que vai contra os dados exemplares da ONU, onde o ideal seria que de 3% a 5% da população seja doadora, gerando a queda nos estoques de sangue nos hemocentros e uma maior probabilidade de vidas que podem ser perdidas pela falta da doação de sangue. Destarte, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a delimitação contra os homossexuais contribui para a perpetuação desse cenário caótico.

Portanto, é essencial a atuação estatal e social para que tais obstáculos sejam superados. Assim, o Ministério da Saúde deve incluir a população homossexual como doadores de sangue, e a mídia, deve propagar a importância da doação de sangue, e mostrar casos verídicos de doações e vidas salvas, em canais com alta audiência, com o objetivo de impulsionar as doações no Brasil, dessa forma, tirando as pedras do caminho da sociedade brasileira.