Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 16/01/2024

Para Herbert de Souza, sociólogo e ativista brasileiro, conhecido como Betinho, o desenvolvimento humano só existirá se a sociedade civil firmar-se em cinco pontos fundamentais: liberdade, igualdade, diversidade, solidariedade e participação. No entanto, no que se refere ao baixo índice de doação de sangue no Brasil, percebe-se a desconstrução de dois desses pilares: a solidariedade e a participação. De um lado, a solidariedade, condição para a coleta de sangue, é ameaçada pela desinformação acerca do procedimento; de outro, a participação é dificultada pelo preconceito, que ainda é uma constante na sociedade.

Nesse sentido, é importante anotar que a falta de informação limita a doação de sangue no país. Isso se deve à escassez de campanhas de sensibilização, que seriam capazes de não só incentivar a população a doar, como também de explicar que o procedimento para doação, além de ser simples, não expõe o doador a nenhum risco. Infelizmente, estigmas ainda persistem – há quem acredite que doar sangue emagreça ou que cause anemia, o que vai culminar na resistência de parte significativa da sociedade em prestar esse tipo de ação humanitária.

Ademais, em 2017, constatou-se que cerca de 19 milhões de litros de sangue deixaram de ser coletados em decorrência da burocracia (ou da recusa) imposta à doação por homossexuais do sexo masculino. Entretanto, essa trave está superada, tendo em vista o fato de que, em maio de 2020, o STF derrubou uma série de restrições da Anvisa a esse respeito. O aceno afirmativo do STF aconteceu, ainda que tardiamente. Sem dúvida, a antiga mostra do preconceito institucional, punha em cheque o avanço tecnológico, uma vez que há mecanismos científicos seguros o suficiente para descartar o material coletado de qualquer pessoa, caso sejam detectadas quaisquer doenças.

Portanto, ações interventivas devem implementadas com o objetivo de atenuar tanto o preconceito quanto a desinformação no entorno da doação de sangue no Brasil. Cabe ao Ministério da Saúde, informar a população acerca não só do caráter humanitário, como também da segurança de que se reveste a doação de sangue, para, só então, incentivar o procedimento, inclusive à comunidade homossexual, aumentando, dessa forma, os índices de doação de sangue no Brasil.