Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/10/2023
No século XXI, a doação de sangue representa uma evolução da área da saúde capaz de salvar inúmeras vidas. Nesse viés, no Brasil atual, apesar da estabilidade no número de doadores, ainda é possível identificar obstáculos para o sucesso desse procedimento. Dentre eles, tem-se o descaso social e, também, a ineficácia do Estado.
A partir disso, a apatia da sociedade tem raiz no desinteresse em uma ação sem algum tipo de retorno, seja monetário ou material. Nesse cenário, em 2023, o Hemocentro do Rio de Janeiro registrou recorde de voluntários, após a cantora Ludmilla ter proposto uma campanha de doação de sangue em troca de ingressos para seu show. Tal episódio evidencia a motivação por ofertas supérfluas, pois sem o incentivo do entretenimento o banco de sangue não teria sido reposto. Logo, o descaso social, exemplificado pelo desapego a valores altruístas, empecilha o processo de doação de sangue no Brasil e prejudica o repasse de plasma para hospitais e indivíduos necessitados.
Outrossim, a ineficácia do Estado é outro desafio que dificulta o sucesso dessa ação. Nesse contexto, a Constituição de 1988 afirma o dever do governo de garantir a saúde da população, a qual é afetada quando os serviços essenciais de doação não funcionam devidamente, atingindo os indivíduos que necessitam desse serviço. A inépcia efetua-se, quando a instituição estatal não cumpre o seu propósito de informar os dados do processo ao público e de articular ações de motivação ao ato. Assim, avisos como: peso adequado e cuidados antes da doação, não alcançam a parcela da população apta a doar plasma, a reposição do banco de sangue dos hemocentros não é realizada e as pessoas beneficiadas não são contempladas.
Portanto, é preciso que o Estado, instituição de poder máximo, promova doações, por meio de campanhas publicitárias veiculadas em canais abertos de ampla visualização, esclarecendo o processo para a população e afirmando sua importância para indivíduos contemplados, a fim de não só combater o descaso social, mas também provar que os objetivos do governo estão alinhados com a Constituição e, dessa forma, dissolver os obstáculos para a doação de sangue no Brasil.