Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/08/2024
Estudos indicam que uma a cada três pessoas no Brasil precisarão receber sangue pelo menos uma vez na vida. Mesmo sendo necessário manter o estoque nos hemocentros, o índice de doadores são baixos, e a desinformação dificulta a solidificação da cultura de doação no país. Isso é perceptível ao observar como a falta de divulgação dos tipos de restrições abre espaço para crenças errôneas e como a homofobia faz com que a população LGBT+ tenha medo de doar.
Primeiramente, pessoas como mulheres de menstruação intensa e usuários de remédios psiquiátricos desistem de doar sangue pela incerteza se é permitido nesses casos. Em ambas as dúvidas, é possível ter respostas em páginas de navegação não oficiais: forte fluxo menstrual só restringe quando causa um quadro de anemia, e algumas medicações específicas precisam de um intervalo de tempo entre a ingestão e doação. Entretanto, a dificuldade de encontrar informações confiáveis permite a criação de crenças erradas sobre quem pode ou não doar, afetando diretamente aumento de voluntários.
Ademais, um empecilho que também prejudica a maior adesão de doadores é que, no Brasil, associa-se as infecções sexualmente transmissíveis (IST) à homossexualidade. Isso porque durante a década de 1980 ocorreu a epidemia de Aids no mundo, matando milhares de pessoas e que foi fortemente associada à “libertinagem gay”, e como as ISTs são os principais fatores que restringem doação, há um estigma de que homossexuais não possam doar, mesmo sem ser infectado. Consequentemente, muitas das pessoas dessa comunidade social têm receio de irem a postos de saúde como voluntárias e serem discriminadas.
Infere-se, portanto, que para a maior adesão de doadores de sangue há a necessidade do Ministério da Saúde investir em um canal de dúvidas na página virtual do governo, divulgando nas redes sociais para maior acesso à informação. Quanto à associação de homossexuais a IST, é preciso que os postos de saúde criem núcleos LGBT+ que conscientize os profissionais através de rodas de conversas para assim haja a garantia do acolhimento de quem é dessa comunidade e deseja doar. Somente assim os obstáculos quanto à doação de sangue serão superados.