Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 06/03/2025
Em 2020, os hemocentros brasileiros enfrentaram uma crise de desabastecimento durante a pandemia. Atualmente, mesmo após o avanço da medicina e controle da doença, a sociedade ainda enfrenta desafios para a doação de sangue, uma vez que, a escassez de doadores regulares e os impedimentos impostos aos homossexuais na doação agravam o problema, comprometendo a eficiência do Sistema único de Saúde.
Diante desse cenário, a carência de colaboradores frequentes prejudica a manutenção do suprimento nos hemocentros, dificultando o atendimento. Segundo a Fundação Pró-Sangue de São Paulo, a queda de 15% nas doações observada em 2024 é alarmante, considerando a dependência dos bancos de sangue da ação voluntária. Isso ocorre porque as doações esporádicas, embora importantes, são insuficientes para garantir o estoque dos serviços de hemoterapia. Como consequência, o sistema de saúde se enfraquece, tornando-se incapaz de atender adequadamente à demanda.
Além disso, as restrições impostas aos homossexuais na doação de sangue trazem consequências práticas. Segundo a Organização Mundial da Saúde cada bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas. Sob essa ótica, os impedimentos impostos aos homens gays não apenas reforçam estigmas e preconceitos sociais, mas também a escassez de doadores, comprometendo a eficiência do SUS, e, consequentemente, prejudicando toda a população, que deixa de se beneficiar do imprescindível auxílio proporcionado por essas doações.
Portanto, com objetivo de combater os desafios para a doação de sangue e aumentar o número de doadores recorrentes, o Ministério da Saúde, na sua condição de coordenador das ações relacionadas aos bancos de sangue, deve investir em campanhas públicas conduzidas por profissionais da saúde para desconstruir preconceitos associados ao tema. Ademais, a Agência de Vigilância Sanitária deve substituir a abordagem discriminatória presente no questionário atual por uma política de triagem baseada em comportamentos individuais de risco, independentemente da orientação sexual.