Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo
Enviada em 22/08/2022
Em face a um cenário tortuoso, é comum recorrer à ficção como estratégia de fuga da realidade. Não por menos, o tomo “Utopia”, escrito em 1516 por Thomas More, destaca-se como um refúgio para o lamentável cenário do Brasil atual. Na obra, More versa sobre uma sociedade ideal, onde não existem desequilíbrios e conflitos sociais. Entretanto, nota-se que a distância entre a “Utopia” e o panorama vigente no país não é apenas temporal, uma vez que os obstáculos para a diversidade de gênero no cenário esportivo fomenta uma realidade temerária. Ainda, cabe ressaltar que esse infortúnio é calcado na morosidade estatal e tem como consequência o conservadorismo.
De início, há de se constatar a negligência estatal como mantedora desse revés. Segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, configura-se no Brasil uma Cidadania de Papel, isto é, ainda que o país detenha um sólido conjunto de leis, elas se atêm, de forma geral, ao plano téorico. Nessa perspectiva, nota-se que desde 1993 - ano de realização do ensaio -, mantém-se uma inércia governamental, de modo que os esforços visando a inserção da mulher no cenário esportivo são irrisórios, indicando que não existe uma plena mobilização do poder público. Depreende-se, portanto, que a omissão governamental contribui para a conjuntura vigente.
Por conseguinte, engendra-se o conservadorismo. Isso porque, para o filósofo Zygmunt Bauman, os tempos são “líquidos”, pois tudo muda rapidamente e nada é feito para durar, para ser “sólido”. Todavia, o que se observa no Brasil é a persistência de um legado histórico, no qual a mulher mantém um papel limitado às atividades domésticas e, consequentemente, não pode explorar seu potencial no âmbito esportivo. Portanto, é evidente que o conservadorismo é um forte obstaculo à inserção das mulheres na esfera esportiva.
Destarte, faz-se mister a intervenção estatal para solucionar esse óbice. Para tanto, cabe ao Poder Executivo, órgão supremo administrador da nação, o dever de criar oficinas públicas, objetivando coletar dados e elencar as lacuans na atuação do Estado. Feito isso, ainda que não haja resolução imediata do conservadorismo, é possivel mitigar a inobservância estatal, de tal maneira que a população usufruirá de tais avanços e a “Utopia” de More deixará de se ater apenas ao plano artístico.