Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo
Enviada em 31/08/2022
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar importância a situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, dar importância aos obstáculos para a inserção das mulheres no cenário esportivo. Desse forma, essa realidade se deve à negligência estatal e à falta de engajamento social.
Mormente, observa-se à negligência do Estado como fator que dificulta a resolução do entrave. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King, de que a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar, cabe perfeitamente, uma vez que a não resolução dessa problemática fere com os direitos de muitas mulheres, e, portanto, desvirtua-se do que se encontra na Constituição Cidadã. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange à inserção da comunidade feminina no cenário esportivo.
Ademais, é válido destacar a ausência de engajamento social como fator que corrobora os obstáculos para inserir a mulher no desporte. Fica claro, pois, que a indiferença da sociedade diante da importância em combater o preconceito com o corpo social feminino no esporte silencia a temática na conjuntura social, o que compromete o direito ao lazer de muitas mulheres brasileiras. Sob esse viés, é lícito referenciar o professor israelense Yuval Harari, o qual, na obra “21 lições para o século XXI” , afirma que grande parte dos indivíduos não é capaz de perceber os reais problemas do mundo, o que favorece a adoção de uma postura passiva e apática, como acontece no Brasil, em relação a indiferença da mulher no desporto.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, cabe à Secretaria Especial do Esporte- órgão político responsável pelo cuidado e preservação do desporte no Brasil- criar campanhas de conscientização, por meio de uma lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Espera-se que, assim, seja combatido os obstáculos para inserir a mulher no cenário esportivo e que a “teologia do traste” não permaneça apenas no campo literário.