Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 06/09/2022

O artigo 217, da Constituição Brasileira de 1988, prevê que é responsabilidade do Estado fomentar e incentivar a prática esportiva para toda população. Contudo, na realidade brasileira a carta magna é desrespeitada, uma vez que o país carece de medidas públicas que garantam a inserção das mulheres no esporte. Isto posto, é lícito avaliar como o machismo estrutural contribui para que o Governo permaneça isento frente a essa problemática.

Deve-se pontuar, de início, que desde as civilizações antigas - Grécia e Roma - o esporte é direcionado, prioritariamente, para os homens. Sob esse viés, nota-se que, até os dias atuais, as mulheres são desencorajadas a prática esportiva, visto que não são beneficiadas de modo equivalente aos homens; um exemplo dessa situação ocorreu durante a Copa do Mundo de 2018, na qual jornais brasileiros denunciaram a discrepância salarial entre as seleções masculina e feminina de futebol. Logo, é fato que a permanência do machismo estrutural na sociedade brasileira cria um cenário favorável para a exclusão das mulheres do esporte, já que a sociedade se silencia e não cobra providências do poder público.

Em consequência, o Estado se isenta de sua responsabilidade constitucional. Nessa perspectiva, vive-se o que Gilberto Dimenstein denominou de “Cidadania de papel”, situação na qual as leis, presentes nos documentos oficiais nacionais, não são cumpridas e desencadeiam uma realidade na qual os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Governo apenas no papel. Por fim, verifica-se que, apesar, do direito reconhecido, o país não fomenta e incentiva as senhoras a praticar esportes, o que integra obstáculos de ordem estatal.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para conscientizar a população sobre a importância da sua participação na transformação do cenário nacional. Dessa forma, é dever da mídia televisiva - no papel de grande difusora de informação e formadora de opinião - elucidar os cidadãos sobre a importância que a pressão social exerce na tomada de decisões governamentais. Tal ação deve ser feita por meio da inclusão de debates na pauta de jornais, novelas e demais programas. Frente ao exposto, espera-se que o Estado crie meios para que o direito constitucional seja desfrutado por todos.