Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 08/09/2022

O artigo 217 da Constituição brasileira de 1988 prevê que é responsabilidade do Estado fomentar e incentivar a prática esportiva para toda população. Contudo, na realidade brasileira a carta magna é desrespeitada, uma vez que o país carece de medidas públicas que garantam a inserção das mulheres no esporte. Isto posto, é lícito avaliar como o machismo estrutural contribui para que o Governo permaneça isento frente a essa problemática.

Deve-se pontuar, de início, que desde as civilizações antigas - Grécia e Roma - o esporte é direcionado, prioritariamente, para os homens. Sob esse viés, nota-se que, até os dias atuais, as mulheres são desencorajadas à prática esportiva, visto que não são beneficiadas de modo equivalente aos homens; um exemplo dessa situação ocorreu durante a Copa do Mundo de 2018, na qual jornais brasileiros denunciaram a discrepância salarial entre as seleções masculina e feminina de futebol. Logo, é fato que a permanência do machismo estrutural na sociedade brasileira cria um cenário favorável para a exclusão das mulheres do esporte.

Em consequência, tem-se a invisibilidade acerca dos obstáculos para a inserção de mulheres no esporte é motivada pela falta de políticas públicas para reverter essa problemática. Nessa perspectiva, segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, há a prática de uma política de eufemismo no Brasil, na qual determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a visibilidade necessária. Sob essa ótica, é perceptível que a sociedade machista descredibiliza o tema e não exerce papel coercitivo para que o Estado crie estratégias para contornar essa situação. Desse modo, verifica-se que, apesar do direito reconhecido, há obstáculos de ordem estatal.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para conscientizar a população sobre a importância da sua participação na transformação do cenário nacional. Dessa forma, é dever da mídia televisiva - no papel de grande difusora de informação e formadora de opinião - elucidar os cidadãos sobre a importância que a pressão social exerce na tomada de decisões governamentais, por meio da inclusão de debates na pauta de jornais, novelas e demais programas. Frente ao exposto, espera-se que o Estado crie meios para que o direito constitucional seja desfrutado por todos.