Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 15/09/2022

A obra cinematográfica “Ela é o cara” relata a história de Viola, uma jovem apaixonada por futebol e que não se conforma com a extinção da modalidade feminina do esporte em sua escola. Em busca de uma solução para o problema a jovem decide se disfarçar e assumir a vaga de seu irmão gêmeo no time masculino, contornando o preconceito e exclusão as quais fora submetida. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação sobre os obstáculos pertinentes a inserção das mulheres no esporte. Nessa perspectiva, tais desafios devem ser analisados e superados de imediato.

Em primeira análise, é relevante postular que o esporte é um bem de valor social. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, dentre os direitos que asseguram o bem-estar e a qualidade de vida da sociedade, está a igualdade de gênero perante diversos âmbitos sociais, responsável por garantir um convívio coletivo harmonioso e equalitário. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido no atual cenário, dado que o percentual feminino da população permanece sendo excluído e desvalorizado diante múltiplas esferas do corpo social, tal como o esporte.

Ademais, segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a falta de solidez e o individualismo intrísecos nas atuais relações humanas, bem como a transferência do ideal de progresso como melhoria conjunta para o de ascensão própria corroboram com o fenômeno da exclusão e do desencorajamento da atuação feminina no cenário esportivo, além de legitimar o não cumprimento dos direitos inatos aos indivíduos.

Em suma, os desafios relacionados a inserção das mulheres nos esportes são reflexos da postura social. Dessa maneira, urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), em conjunto com o setor midiático, promova propagandas e campanhas, com profissionais qualificados, nos meios físico e digital, a fim de encorajar a participação feminina nas práticas esportivas, além de conscientizar e instruir a sociedade quanto a relevância do conhecimento e cumprimento dos direitos que conferem a dignidade da vida humana a todos. Dessa forma, o Brasil poderá combater as disparidades residuais na sociedade.