Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 19/09/2022

A seleção feminina de futebol americano - vencedora da última copa do mundo - protestou no final do campeonato, por possuir mais títulos que a seleção masculina, porém os salários das jogadoras são menores em comparação aos jogadores. Esse cenário desigual escancarado nos esportes, promove um debate sobre os obstáculos para a inserção das mulheres no cenário esportivo, em virtude de uma segregação de gênero somada a uma falta de investimentos.

Primeiramente, existe uma desvalorização histórica do papel da mulher na sociedade ao longo do tempo. Nesse sentido, desde a formação dos pequenos clãs familiares, a figura do homem como o chefe político e familiar sempre foi ressaltada em detrimento da feminina. Em decorrência desse pensamento de subalternidade das mulheres, elas só conseguiram participar efetivamente da política e dessa forma de uma participação social ativa no século passado, após um longo período de segregação. Por causa disso, ainda é muito difícil para as mulheres serem vistas socialmente como atletas fortes e habilidosas para praticarem qualquer esporte e serem reconhecidas pelos seus talentos.

Ademais, esse pensamento que desvaloriza as mulheres gera uma falta de patrocínios privados. Sob esse âmbito, é válido relembrar que a jogadora Marta - seis vezes premiada como a melhor do mundo - não conseguiu nenhum patrocínio em sua camiseta ou chuteira na última copa do mundo feminina. Esse fato ressalta como as empresas não valorizam os esportes femininos e como isso acarreta uma falta de infraestrutura qualificada para auxiliá-las na conquista de um tão aguardado título mundial.

Portanto, as mulheres precisam encarar maiores obstáculos que os homens para adentrar nesse mundo esportivo ainda tão preconceituoso. Para reverter esse quadro, é fundamental que o poder Legislativo - responsável por formular a legislação do país - crie uma lei de cotas para que o setor privado que patrocina os homens seja obrigado a patrocinar uma porcentagem para as mulheres também; por meio desse dinheiro, poderá ser investido em uma infraestrutura melhor para treiná-las. Além, de obrigar por lei a equiparação salarial entre homens e mulheres. Assim, os obstáculos serão diminuídos e os protestos obterão resultados práticos.