Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 30/09/2022

A primeira Olimpíada da Era Moderna ocorreu em 1896, contudo não era tão inclusiva como a atual, uma vez que a participação das mulheres foi vetada e apenas, em 1920 foi aceita. Sob esse viés, sabe-se que esta realidade ainda aflige o mundo hodierno, já que a presença feminina ainda efrenta entraves para ingressar no cenário esportivo. De modo que, o machismo estrutural e a falta de investimentos e divulgação da mulher no esporte acarrete em barreiras para tal inserção. Necessitando, assim, de medidas para remodelar este cenário.

Do exposto, convém ressaltar que o machismo estrutural perpetua como um impasse para a resolução desta problemática. Nessa perspectiva, para Hannah Arendt, a habitualidade de atos prejudiciais ao pleno funcionamento da sociedade acaba resultando na trivialidade e no descaso da população em reverter a situação. De forma que, ao relacionar tal teoria ao contexto contemporâneo, observa-se a dificuldade do crescimento feminino no âmbito desportivo por procedência de atos machistas do corpo social, como citar que lugar de mulher é dentro de casa, executando as atividades domésticas, impedindo-as de seguir carreira como atletas. Por isso, elaborar ações efetivas para mudar esse revés torna-se imprescindível.

Outrossim, vale ressaltar que a pouca aplicação de recursos nas atletas junto a baixa divulgação delas corrobora de inserção no meio esportivo. À vista disso, de acordo com dados do Correio, homens chegam a receber 234 vezes mais que a mulheres, denotando a disparidade econômica entre gêneros nos esportes, que desmotiva a participação do público feminino. Além disso, tem-se o fato do escasso compartilhamento dos jogos femininos, diferente de como ocorre com o masculino, o qual é transmitido em “TV aberta” quando há competição. Sendo assim, fulcral a criação de medidas para alterar esta realidade.

Depreende-se, portanto, que algo seja feito para mudar este cenário. De modo que, a Secretária Especial do Esporte, por meio do MEC (Ministério da Educação) promova eventos poliesportivos nas escolas para ambos os sexos, com o intuito de incentivar e explicar a importância da paridade social e econômica nos esportes. Ademais, que a mídia torne-se mais presente nos jogos femininos, divulgando-os e transmitindo-os em canais abertos, assim haverá maior reconhecimento da mulher no esporte. Além disso, o CNE (Conselho Nacional do Esporte) por meio de uma emenda constitucional, crie um piso salarial mínimo para as jogadoras femininas, para que não haja grande desigualdade monetária. A partir de tais medidas, a sociedade se distinguirá daquela de 1896.