Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 05/10/2022

Em 1964, os militares instituíram uma ditadura que, por cerca de 20 anos, censurou diversos assuntos no país, inclusive a participação das mulheres no futebol. Assim, por alegarem que o jogo não era compatível com a natureza “delas”, proibiram as partidas femininas. Atualmente, apesar de não haver mais a proibição, as esportistas sofrem obstáculos para se inserirem no cenário, seja pela banalização do problema, seja pelo silenciamento das mídias.

Nesse sentido, a trivialização do preconceito e da falta de incentivos que as jogadoras sofrem perpetua esse difícil panorama esportivo. Conforme a filósofa Hanna Arendt, quando uma situação ruim acontece muitas vezes, as pessoas tendem a vê-la como normal. Dessa forma, a sociedade não se mobiliza para exigir maior cobertura para os torneio femininos, assim como não pressiona as empresas patrocionadoras por maiores cotas para difundir o esporte das mulheres. Desse modo, permanece a discrepância entre o masculino e o feminino, e as verbas e o destaque continuam voltados, predominantemente, para os atletas homens.

Ademais, a não divulgação eficiente das competições femininas dificulta a inclusão das meninas no esporte. Nesse viés, o pensador Pierre Bourdieu afirma que o instrumento midiático deveria ser um instrumento para propagar informações democraticamente e, não um meio de divulgação apenas do que trará audiência. Dito isso, nota-se que a pouca visibilidade dada ao esporte feminino enfraquece a entrada de novas atletas, além de impedir a permanência das que não conseguem se manter na profissão devido aos baixos ganhos.Logo,a mídia por não cumprir o seu papel informativo agrava a situação das atletas.

Portanto, os obstáculos para a inserção das mulheres nos esportes são muitos e precisam ser mitigados. Destarte, o Governo Federal, por meio do Ministério dos Esportes, deve direcionar verbas para a criação de escolinhas femininas e para distribuição de bolsas de auxílios para as atletas em formação. Tal ação também incluirá convênios com empresas patocionadoras, além de exigir a transmissão dos eventos pelas emissoras esportivas. Dessa forma,o Estado auxiliará as profissionais do esporte, além de garantir o crescimento do esporte feminino e contrariar a alegação de que era incompatível com a natureza “delas”.