Obstáculos para inserção das mulheres no cenário esportivo

Enviada em 08/11/2022

No filme “Ela é o cara”, a protagonista, personagem interpretada por Amanda Bynes, a fim de participar ativamente de um time de futebol, veste-se como um homem, haja vista que times exclusivamente femininos haviam sido cancelados. Apesar de fictício, o filme explora a realidade tangente ao cenário esportivo tupiniquim: o segregamento das mulheres do mundo do esporte. Mediante isso, faz-se necessário analisar como o machismo histórico e a lógica mercadológica aprofundam a problemática.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que o machismo estrutural consolida os obstáculos para inserir mulheres na conjuntura esportiva. Isso acontece, pois, historicamente, o esporte era majoritariamente masculino, visto que desde a antiguidade, na Grégia, as mulheres não eram reconhecidas como cidadãs de direito e, por consequência, afastadas de práticas consideradas masculinas. Esse pensamento pode ser representado pela teórica Simone de Beauvoir, para a qual “não se nasce mulher, torna-se”, pois o esteriótipo de gênero que permeia o esporte tolhe a sua democratização e inclusão das mulheres.

A mídia manipuladora, além disso, cristaliza a barreira no quadro esportivo brasileiro. Esse cenário pode ser explicado mediante a lógica mercadológica inclusa no plano midiático, que espetacularizou o esporte, tornando esse um produto do mercantilismo, o qual direciona o seu viés em torno do lucro. Como consequência direta desse ideário, as programações televisivas não cedem espaços para a inclusão das minorias no esporte, dentre essas as mulheres, tendo como foco principal o futebol masculino, o que tolhe o potencial democrático dessa prática física.

Destarte, é incontrovertível que a inserção das mulheres no esporte é dificultada. Portanto, urge que o governo atue por meio de um Plano de Igualdade de Gênero. Esse plano deverá atuar por meio do Ministério da Educação, responsável pela Base Nacional Comum Curricular, de forma a adicionar palestras educativas nos polos de educação brasileira, com mulheres importantes no cenário do esporte, que desmistifiquem a o estereotipo de gênero presente na prática